Diário

Freddie Seixas

Hoje parei na frente do espelho, não para admirar o reflexo, nem para procurar defeitos ou apontar as inúmeras e imperfeições físicas e morais que tenho.
Mas para conversar com as cicatrizes que a vida deixou em mim, algumas não aparecem na pele, moram atrás dos olhos.
Escondidas em lembranças que ainda doem quando a noite fica silenciosa demais.
Passei os dedos sobre cada uma delas, como quem folheia capítulos antigos de um livro difícil de ler.
Ali estavam as marca da rejeição, do abandono,  as marcas dos sonhos que morreram antes de nascer.
Ali estavam as marcas dos amores que partiram levando pedaços de mim.
Por muito tempo enxerguei essas marcas como derrotas.
Hoje não.
Hoje percebo que a beleza da minha jornada nunca esteve na ausência delas.
A beleza está no que fizeram comigo.
Cada golpe me arrancou uma versão antiga de mim.
Cada queda me obrigou a descobrir uma força que eu não sabia possuir.
Cada lágrima regou algo dentro de mim que, mais tarde, floresceu.
As cicatrizes não me enfraqueceram.
Elas me moldaram.
São a prova de que sobrevivi aos dias que jurava não conseguir seguir.
São testemunhas silenciosas de batalhas que ninguém viu e nunca irão ver.
São medalhas conquistadas em guerras travadas dentro da minha alma suja, sedenta por redenção.
Talvez a vitória nunca tenha sido chegar inteiro ao fim do caminho, tallvez a vitória seja justamente continuar caminhando mesmo carregando as marcas.
E se algum dia alguém me perguntar quem eu sou, não direi meu nome.
Mostrarei minhas cicatrizes.
Porque nelas está escrita toda a história de um homem que caiu inúmeras vezes, mas que se recusou a permanecer no chão e segue em busca de sua redenção...

 

Por Freddie Seixas 

  • Autor: Freddie Seixas (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 22 de junho de 2026 15:49
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3


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