O VOO DO TEMPO

Fábio Alves Leão

O tempo escorre entre os dedos, fugaz,

Como um rio que nunca retorna ao cais.

Os dias, outrora lentos e vastos,

Agora são ventos, soprando tão rápidos.

 

Foi ontem, ou há uma eternidade,

Que corri pelos campos em liberdade?

Os risos de outrora, ecos no ar,

São memórias que o tempo não pode apagar.

 

O relógio insiste, seu tique imortal,

Nos lembra que a vida é um breve jornal.

Um capítulo escrito com pressa e fervor,

Por mãos invisíveis que ditam o amor.

 

As primaveras se tornam outonos silentes,

As folhas caem como sonhos ausentes.

Olho no espelho e vejo, assombrado,

Um rosto que o tempo já tem desenhado.

 

Mas há beleza no que se vai,

Na transitoriedade que nunca se trai.

Pois é no efêmero que a vida floresce,

E é no instante que o coração agradece.

 

Sim, o tempo passa, cruel e ligeiro,

Levando consigo o que é passageiro.

Mas deixa em nós marcas de um caminho,

Que nos fez crescer, embora sozinho.

 

E se o tempo é um ladrão, implacável, voraz,

É também um escultor, que a todos refaz.

E, apesar do medo, da corrida tão breve,

É nele que a vida, tão linda, se escreve.

 

  • Autor: Brendon Leão (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 19 de junho de 2026 08:40
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 2


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