RECOMEÇO
Não esperes nada de mim.
Sou o que resta do vento,
sou o que desperta da brisa.
Trago o tempo nos olhos
e o agora nas mãos.
Não prometo eternidades,
nem carrego velhas juras:
quero apenas presenças.
Em cada gesto teu,
quero habitar um instante
e fazer desse instante o infinito.
Deixei pelo caminho
as sombras, as culpas,
as promessas que o tempo desfez.
Agora caminho por alamedas novas
com o coração alvo,
embora as mãos ainda guardem cinzas.
Em mim há segredos silenciados,
mas os cristais mais raros da minha alma
nem os amores de outrora conseguiram partir.
Hoje os ofereço a ti,
como quem entrega o próprio nome
em sagrada oferenda.
Se eu partir,
será para buscar-te.
Se eu ficar,
será por escolha.
Nada em mim é acaso:
tudo é ternura preservada
para este recomeço.
Em ti encontro o perdão do tempo;
no teu toque,
o caminho de volta para casa.
E se um dia perguntarem por mim,
digam que feneci,
pois nem todos precisam saber
que voltei a florescer.
Não morri por ninguém:
ergui-me por ti,
senhora da minha ascensão.
E se há milagre nesta vida,
não foi vencer a dor,
mas descobrir que ainda
havia em mim
um jardim disposto a nascer outra vez.
-
Autor:
C.araujo (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 16 de junho de 2026 15:04
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4

Offline)
Comentários1
Que bom que o ato de sobreviver à dor e a capacidade de amar e florescer continuam integras.
Abraços,
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.