Miniconto, Fábula: A Confusão dos Sapos da Baixada

Gino, Sinvaldo de Souza

Miniconto, Fábula: A Confusão dos Sapos da Baixada

       No brejo pequeno da baixada da cidade de Lua Nova, pertinho do rio, os senhores sapos tinham um acordo antigo: cada um cantava num toco diferente. Um no tronco podre, outro na pedra lisa, outro na beira da água.

        Tudo ia bem até a chuva forte subir o nível do brejo e afogar dois tocos. No outro dia, três sapos queriam cantar no mesmo toco que sobrou.

       — Sai daqui, esse toco é meu desde o verão passado! — coaxou o Sapo Velho, inflando o peito.  
       — Se é teu, por que afundou? Agora é meu — respondeu o Sapo Miúdo, pulando pra cima.  
       — E eu? — grunhiu o Sapo Gordo — Quem vai ouvir a gente se a gente não canta junto?

       Começou a gritaria. Coaxo por cima de coaxo, pulo por cima de pulo. A água ficou mexida, os mosquitos fugiram, e o brejo ficou quieto de tão barulhento.

       A garça que passava pousou na beira e falou seco:  
       — Vocês querem palco ou querem plateia? O brejo é grande, mas se brigarem por um toco só, ninguém canta.

       Os sapos pararam. Olharam pro brejo inteiro. Tinha capim alto, lama boa, raiz aparecendo. Espaço não faltava, só faltava acordo.

       Na noite seguinte cada um escolheu um canto novo. O Sapo Velho ficou no barranco, o Miúdo na folha de vitória-régia, o Gordo na raiz do buriti. E quando cantaram juntos, o som desceu pro rio e subiu pra cidade.

Moral::  Brigar por um cantinho pequeno faz perder o brejo inteiro.

 

Autor; Gino, Sinvaldo de Souza 

  • Autor: GINO (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 16 de junho de 2026 06:19
  • Categoria: Fábula
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