Eu me lembro de quando ainda chamava de amor
o que, na verdade,
era a lenta arte de desaparecer.
Eu era importante quando estávamos sozinhas,
mas quando o mundo acendia as luzes,
minha existência virava segredo,
e eu aprendia a caber
em espaços cada vez menores.
Passei tanto tempo me perguntando
o que eu precisava fazer,
o que eu precisava mudar,
que demorei a perceber:
a pergunta nunca foi sobre mim.
Por que continuei escolhendo alguém
que repetidamente
não conseguia me escolher por inteiro?
Enquanto você decidia quem era,
existia uma mulher do outro lado
vivendo todas as consequências
da sua indecisão.
E essa mulher era eu.
Eu negociava horas,
presenças,
promessas,
como quem aceita migalhas
por medo de voltar para casa de mãos vazias.
Mas em que momento
deixamos de construir uma relação
e passamos a negociar
o direito de existir nela?
Hoje eu sei.
Eu faria muitas coisas por quem amo.
Atravessaria distâncias,
enfrentaria tempestades,
recomeçaria quantas vezes fosse preciso.
Mas não quero mais me abandonar
para que alguém fique.
Porque eu merecia reciprocidade.
Merecia alguém que me encontrasse
no mesmo lugar em que eu estava,
com a mesma coragem,
com a mesma verdade.
Eu entreguei tudo isso
para alguém que não conseguiu me encontrar.
E, por muito tempo,
achei que essa era a minha tragédia.
Agora entendo:
minha salvação começou
no dia em que parei de implorar por espaço
e decidi ocupar o meu.
Inteira.
Sem pedir licença.
Sem me esconder.
Sem voltar atrás
de quem eu sou.
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Autor:
Mariana Ferreira Peter (
Offline) - Publicado: 15 de junho de 2026 23:30
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4

Offline)
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