Não me reconheço mais...
Vivo insulada em meus pensamentos,
perdida entre silêncios e lamentos.
Preciso correr,
preciso fugir,
como quem tenta do próprio vazio partir.
Parece que tudo é sombra,
um caminho sem cor, sem resposta que assombra.
Mas tenho algumas regalias...
poder escrever,
poder cantar...
mesmo que minha voz se abafe
entre tantas outras vozes a falar.
Eu seria capaz de tocar um coração?
Ou tudo não passa de ilusão?
Seriam apenas falácias,
ecos sem direção,
quando no final da estrada
restam apenas eu e a solidão?
Eu preciso me curar ..
Mas vale a pena tentar?
Em noites vazias, frias e tardias,
faço companhia às minhas próprias agonias.
Seria eu capaz de despertar algo bom?
Ou continuo presa sempre ao mesmo tom?
Queria eu ser um violão,
feito de cordas, alma e canção,
para ser dedilhado com carinho e emoção
e derramar, em cada nota, uma confissão.
Que das minhas cordas nascessem melodias de amor,
capazes de atravessar o silêncio e a dor.
E que, em acordes suaves e intensos,
entre sentimentos tão profundos e imensos,
Em meio aos dedilhados sem fim...
eu pudesse te fazer sentir,
que não existe apenas a dor..
Queria ser teu violão
Para que pudesse te fazer sentir bem ..
Para que seus olhos fossem além ...
Que você de fato ficasse feliz, entusiasmo...
Que você me dedilhasse...
E em cada acorde sentisse minha respiração,
sentisse meu desejo...
Que pudesse imaginar coisas mirabolantes,
misteriosas,
perdidas entre sombras e clarões,
entre silêncios e tentações.
Queria te acalmar,
te abraçar...
Nem que fosse por esses meros instantes
que ainda restam.
Mas que não sei como...
Seria errado pedir?
E assim me despedir...
ou até me despir?
Das palavras,
dos medos,
das máscaras que insistem em ficar.
Ou melhor,
eu silenciar
e nunca mais ousar?
Nunca mais transformar em versos
aquilo que insiste em pulsar.
Nunca mais permitir
que meu coração fale mais alto
do que deveria.
E então permanecer apenas assim
uma melodia inacabada,
ecoando baixinho na escuridão,
esperando que alguém,
em algum instante,
ainda queira escutar sua canção.
Sera que você gostaria ?
Será que você teria essa vontade de dedilhar ?
Será que por mera curiosidade ...
Eu seria um violão aos teus dedos?
Sou um violão solitário
Mas queria ser um violão e que me tocasse ...
Para que encerrasse essa melodia tão misteriosa ...
E experimentasse de verdade
Pois posso te matar ou te saciar ...
De fato de mataria de desejo ... Ou saciaria tua caça ..
Te lambuzaria de tanto prazer
Ou te calaria até o amanhecer...
Me entregaria a mais doce e sombria melodia ..
e te encharcaria e embebedaria com o néctar mais doce ou amargo...
Como alguém que galopeia com uma nota tão quente
E não te daria mais replay.
Mas sempre a vida me lança outra vez ...
Poderia eu ser um violão?
Então venha e me toque.
Faça das minhas cordas
morada dos teus desejos.
Deixa que nossas respirações
se confundam entre notas e silêncios.
Fica aqui mais uma bela indagação...
Poderia eu ser um violão?
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Autor:
Consulado (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 15 de junho de 2026 19:20
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: Consulado 🌻🍀, Pietro Guilherme Piazera

Offline)
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