Aqui estou: o espelho da verdade que muitos recusam afrontar.
Aqui estou eu, pronto para ver a tampa ser rosqueada sobre a minha face.
Aqui estou, testemunha de que raros são os que não fingem o pranto.
Que não se debruce sobre meu caixão quem nunca se apoiou em meu ombro.
Não vertas as lágrimas que tu mesmo plantaste em meu rosto!
Não profanes palavras que nunca me fizeste entender quando eu ainda ouvia.
Não edifiques qualidades que jamais exaltaste em nosso convívio.
Não carregues as alças do meu caixão como quem exibe um troféu para a plateia.
Não deixes flores sobre meu túmulo se nunca as plantaste em meu jardim.
Não forjes memórias que jamais compartilhamos.
Não queiras morrer comigo se nunca soubeste viver ao meu lado.
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Autor:
WCARRARO (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 15 de junho de 2026 18:08
- Comentário do autor sobre o poema: Nada pessoal, apenas uma sincera reflexão sobre a morte!!
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 24
- Usuários favoritos deste poema: Wilson C. Gabriel, Gino, Sinvaldo de Souza, Revoar Ministério
- Em coleções: POEMA PRA PENSAR.

Offline)
Comentários3
"Aos Que Ficam" não é um poema sobre a dor de morrer, mas sim sobre a frustração de como os vivos lidam com a morte. Ele funciona como um lembrete desconfortável, mas necessário: o amor e o respeito precisam ser praticados no presente. Depois que a tampa é rosqueada, qualquer teatro é apenas vaidade.
Parabéns, poeta!
Agradeço suas palavras, espero chegar a este titulo um dia!!
Engraçado, seu poema me fez lembrar de casal que na minha adolescência, ja eram idosos. Ele era a tradução de todos os "Não's" contidos na sua obra e ela, só soube dizer a ele isso, ele ja havia partido.
Seu poema é muito profundo.
Gratidão por suas palavras e feliz por trazer está lembrança.
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