A Velha

Thessa

Às vezes a vida tem dessas,

Tropessar pessoas quebradas na nossa frente, como se já n fossemos desencaixados o bastante. 

Fazendo o que sempre faço um dia encontrei uma velha. Cabelos encaracolados mal colocados no topo da cabeça oca, enrolados sem cuidado como maluca que diz bobagens em vielasO batom barato e borrocado que não combinava tom sobre tom em sua pele, nem com suas ideias saídas de sua boca mergulhada em álcool. Com olhos vazios de quem nunca foi feliz de forma alguma, recitou para mim palavras secas e vazias que nem ela mesma acreditava serem convincentes 

A minha reação não mudou, era como conversar com cadaver, nada que falava era vivo e se era vivo, era mal falado. Era uma velha que não vivera, tratava a vida de qualquer forma, primeiro senti pena, depois penei de desapego, depois, contentei-me com o belo do bem feito.

Muitos anos não fazem sabedoria, muitos anos mal vividos, podem fazer tudo, menos sabedoria.

Eu, nova, com o cabelo mt bem ajeitado na cabeça que só não era oca porque havia um tento razoável de Deus nela, sorri (o máximo que pude) joguei fora sua dispensável cortesia e me fui.

 

A pena é um prato que se come com gosto... gosto por não ser você o penado.

Somos de tudo, um pouco egoístas e gostamos.

  • Autor: Thessa (Offline Offline)
  • Publicado: 15 de junho de 2026 17:34
  • Comentário do autor sobre o poema: EXCÊNTRICO
  • Categoria: Surrealista
  • Visualizações: 4
  • Em coleções: Pecados de Infância.
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Comentários1

  • aissacaniat

    Um dos melhores poemas que já li, parabéns pelo lindo poema.



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