Eu queria menos.
menos vontade,
menos vazio,
menos esse apetite estranho
de engolir o mundo inteiro
pra tampar um buraco que nem nome tem.
Mas às vezes eu quero tanto
que meu peito parece um animal morto
inchando no asfalto depois da chuva.
Quero carinho,
quero permanência,
quero alguém que fique
mesmo quando minhas sombras começam a feder.
E aí vem a culpa.
A culpa senta na beira da cama
como um padre cansado
folheando a lista dos meus pecados invisíveis.
“Você acha mesmo que merece?”
E eu nunca sei responder.
Porque fui aprendendo a desejar em silêncio,
como quem rouba flores de um cemitério:
com delicadeza
e vergonha.
Tem algo podre em precisar tanto.
algo triste em olhar pra própria fome
e tratá-la como defeito.
Mesmo assim,
toda noite eu continuo desejando o impossível
feito um cadáver aceso
se recusando a aceitar
que já morreu.
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Autor:
Isabelly.B (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 13 de junho de 2026 19:05
- Comentário do autor sobre o poema: A ânsia do querer, A vergonha de precisar, E a falta de empatia consigo mesmo.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 5

Offline)
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