E então tive uma crise de tudo o que sou, de tudo o que eu achava que eu fosse. Tudo o que eu não deveria questionar, questionei. Perguntas arrebatadoras, cheias de espinhos, feitas por quem nunca assumiria machucar alguém. Qual o preço pago por toda fuga do passado? Qual papel devo assumir? O que devo sentir? E então tive uma crise de tudo o que tanto tentei ser. Quem sou? Tudo o que eu não deveria cobrar-me, cobrei-me. São as inúmeras vezes em que te decepcionei que fizeram questionar-me qual o valor das palavras inseguras pensadas minuciosamente e proferidas ao tom em que digo ser o mais sincero. Me corrompeu todas as esperanças em ser eu mesma, àquela que digo que mais amo e que protegerei com minha vida. Você não quer sentir? Mas você precisa. Liberte-se de tudo o que te destrói, tudo o que torna seu coração espinhoso e tão cheio de ódio. Liberte-se do que o torna uma pessoa irreconhecível, incapaz de amar-se e afirmar “eu sou quem sou”. De quem escondo-me? A quem devo resposta e a segurança de uma frase? A mim mesma. Tudo o que eu deveria sentir, não senti. E então tive uma crise de tudo o que sou, de tudo o que eu achava que eu fosse.
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Autor:
thefuneral (
Offline) - Publicado: 11 de junho de 2026 14:32
- Comentário do autor sobre o poema: Ele significa exatamente tudo o que está nele. Sinto tudo, e eu entendo quem sinta-o também.
- Categoria: Triste
- Visualizações: 4
- Em coleções: Coração pesado.

Offline)
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