O silêncio surdo da madrugada é um chiado.
O ranger da cama é corpo que se vira e senta. O som do bocejo acompanha o gemido de uma dor lombar crônica. O não ruído da pausa que se segue simplesmente aguarda.
Vez dos pés batucarem enquanto os passos avançam pelo corredor. Você pode ouvir uma certa insegurança.
O pensamento fala e, às vezes, grita.
O barulho da água se agita contra o rosto e escorre pela pia. O atrito da toalha seca, enxuga. Um suave despertar cria a onomatopeia da vida; invente a sua.
Segue o esfregar do trilho da janela, que se arrasta para fora. O sol espera a luz da lua ir embora, resiliente. Não se escuta o tempo; o relógio é digital.
O abrir da porta da garagem, o ronco do carro, o fechar metálico.
Na maternidade, um primeiro choro tem som de alegria.
Na outra ala do hospital, o estetoscópio não escuta. O choro é de partida.
Ouço uma canção triste que contrasta com a canção de ninar que se inicia.
Olho pela janela. A luz do sol já substituiu a luz da lua.
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Autor:
RGGouveia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 11 de junho de 2026 09:15
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5

Offline)
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