A Suprema Indagação

Poesia Abandonada

Um ponto azulado na imensa amplidão, Frágil centelha de vida e de luz, Brotou do tumulto, da pura explosão, Do mesmo mistério que tudo conduz.

O azul que nos veste é filho do escuro, A vida é o fruto de um choque violento; O chão que pisamos, outrora inseguro, É poeira de estrela moldada pelo vento. 

Do vazio sem forma, do espasmo primeiro, Nasceu o tecido de todo o infinito. Não houve projeto, compasso ou roteiro, Apenas um trauma sagrado e bonito.

O cosmos se fez na fratura do nada, Em jorros de fogo, de fúria e expansão, A ordem que temos foi só camuflada Na dança febril da total colisão.

E nesse capricho de forças brutais, Onde astros colidem e mundos desabam, Gerou-se um milagre de tons cordiais, Pequeno planeta que as águas embalam.

Mas fica a pergunta que o peito consome, Ao ver esse arranjo que o acaso teceu: Será que o "caos" é somente um nome Para a perfeição que ninguém entendeu?

Se a ordem estática é muda e sem cor, E a regra moldada é fria e vazia, O caos se revela o grande escultor, Ditando os ritmos da geometria.

Ser caótico, então, é a meta final? A obra-prima que não se repete? O caos é perfeito no seu turbilhão, Pois sendo o avesso de toda a razão, É a única força que a vida promete.

  • Autor: Poesia Abandonada (Offline Offline)
  • Publicado: 10 de junho de 2026 17:26
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4
Comentários +

Comentários1

  • Shmuel

    Que viagem! Um belo poema!

    Abraços,



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.