Um ponto azulado na imensa amplidão, Frágil centelha de vida e de luz, Brotou do tumulto, da pura explosão, Do mesmo mistério que tudo conduz.
O azul que nos veste é filho do escuro, A vida é o fruto de um choque violento; O chão que pisamos, outrora inseguro, É poeira de estrela moldada pelo vento.
Do vazio sem forma, do espasmo primeiro, Nasceu o tecido de todo o infinito. Não houve projeto, compasso ou roteiro, Apenas um trauma sagrado e bonito.
O cosmos se fez na fratura do nada, Em jorros de fogo, de fúria e expansão, A ordem que temos foi só camuflada Na dança febril da total colisão.
E nesse capricho de forças brutais, Onde astros colidem e mundos desabam, Gerou-se um milagre de tons cordiais, Pequeno planeta que as águas embalam.
Mas fica a pergunta que o peito consome, Ao ver esse arranjo que o acaso teceu: Será que o "caos" é somente um nome Para a perfeição que ninguém entendeu?
Se a ordem estática é muda e sem cor, E a regra moldada é fria e vazia, O caos se revela o grande escultor, Ditando os ritmos da geometria.
Ser caótico, então, é a meta final? A obra-prima que não se repete? O caos é perfeito no seu turbilhão, Pois sendo o avesso de toda a razão, É a única força que a vida promete.
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Autor:
Poesia Abandonada (
Offline) - Publicado: 10 de junho de 2026 17:26
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4

Offline)
Comentários1
Que viagem! Um belo poema!
Abraços,
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