Serei eu um beócio ímpio?

boran



Puzilanime, insensível e imoral

Sem amor, já não me resta nada

Pra que vagar por essas ruas?

Tudo já não faz sentido

Troglodita com coração tomado 

Será amor? Seria o tal do amor?

Já não tenho mais respostas 

De que vale a moral?

Seria eu egoísta?

Reflito enquanto o vento sopra meu café já frio.

 

Me questiono se deveria me viciar 

Assim como outros jovens da minha idade 

Maconha, álcool cigarro e pod

Será esse o caminho pra felicidade?

Já me senti feliz

Mas hoje me pesa o peito 

Será que foi felicidade de verdade?

Drogas também não seriam

Mas me fariam sair da realidade 

Sair dessa pleroma 

E quem sabe por um minuto, só um 

Eu me sentisse eu, feliz

Não em dois, mas só um

O café cai por descuido meu.

 

Sem dinheiro, amor e motivos

Do que vale manter tais princípios?

Afinal, ninguém vai ver

Eu odeio ter princípios 

Pois minha moral me diz o certo a se fazer

Pensar que algo afetaria alguém

Me faz pensar nas variáveis 

Mas, todos querem o benefício próprio 

Queria eu conseguir ser assim 

Mas não passo de um bastardo beócio 

A calça era branca, agora está manchada.

 

A noite me deito, e o teto me assusta

Vejo o rosto dela em tudo

Já faz um tempo desde que ela se foi

Mas não consigo esquecer ela

Devo ser muito paspalho pra crer 

Eu sei que não voltará, mas ainda creio

É ingênuo, eu sei, mas me mantém 

Me mantém longe do mundo

Me mantém longe da morte 

Não tão longe, mas me impede de tentar 

Queria não ser tão esperançoso 

Queria eu não ser insistente

Mas a angústia de desistir me corrói 

Sinto falta dela ainda

E isso me mata aos poucos 

E isso ainda me faz sobreviver 

A frustração me condena 

E a dor que mata, é a que me mantém 

Não segurei a caneca, quebrou no chão.

 

Ainda torço pra que um dia ela volte

Mesmo sabendo que não voltará 

Meu trabalho tem me desgastado

E a falta de um colo, me destrói 

Meu financeiro está melhorando 

Mas a falta de quem dar presentes

Me faz querer morrer

Eu já queria antes, não nego

Mas isso me dá mais um motivo

Porém não quero machucar quem amo

Mesmo que ela não saiba que morri

Tenho planos de negócios 

Mas não tenho com quem compartilhar 

E sequer tenho as carícias 

Carícias que me salvavam

Mas que hoje, não tê-las me dói 

Deixei minha mente criar cenários 

E isso me fez perder meu amor

Mas agir com o coração seria certo?

As vezes a razão se encontra no coração 

Enquanto o peito sente

O cérebro mente

Coração apaixonado contra uma mente larápia

Tornei-me um ser pútrido 

Sem amor, não me sinto nada

Apenas vázio

Mas será o seu espaço reservado 

Se quiser voltar, para preencher aquilo que me falta

Esta caneca me deixou zureta

Não quero mais tomar café.

 

 

  • Autor: boran (Offline Offline)
  • Publicado: 10 de junho de 2026 02:56
  • Comentário do autor sobre o poema: Não tem nada de especial nesse poema, apenas sentimentos de uma casca ambulante com boné preto, ao fugir, lance labaredas de fogo á casa, não é necessário deixar rastros...
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 2
  • Usuários favoritos deste poema: boran
  • Em coleções: Pensamentos normais de um louco.


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.