No balanço do universo, Na batida do tambor, Dizem que Deus é a luz, O arquiteto do amor. E Ele é bom, de fato é, Na bonança e na maré, É o colo do criador.
Mas olhe bem para o oposto, Sem medo ou assombração, O diabo, coitado, às vezes, É só incompreensão. Não é que ele seja ruim, Ele é o avesso do sim, A força da tentação.
Se Deus é o norte seguro, O diabo é o descaminho; Se Deus nos dá o perfume, O outro nos lembra o espinho. Um cria a regra e o altar, O outro nos faz tropeçar Pra gente andar devagar E valorizar o caminho.
Sem a noite, o dia morre, Sem o frio, o fogo enfreia; O mundo precisa de ambos Pra girar na mesma teia. Um perdoa o nosso pecado, O outro, de modo ousado, É o vento que nos incendeia.
Nem toda sombra é maldade, Nem toda luz é colheita. Deus é bom por natureza, E a outra força, espreita, Não pra ser o fim do mundo, Mas o contraste profundo Da criação perfeita.
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Autor:
Poesia Abandonada (
Offline) - Publicado: 9 de junho de 2026 23:18
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

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