Os Lembretes no Muro

a lonely poet

 

Você me mandou aquele vídeo primeiro,

 

Falando de um coração de muros altos.

 

Dizia que quem atravessasse o picadeiro

 

Encontraria um lugar seguro contra os assaltos.

 

Eu disse à plateia que eu consegui entrar.

 

Por um tempo foi bom, foi muito aconchegante.

 

Mas o dono do muro começou a insinuar

 

Que eu era um problema, um peso constante.

 

Cogitei sair, mas poxa... olhei a parede:

 

Já havia lembretes sobre o nosso casamento,

 

Receitas de domingo, projetos na rede...

 

Como deixar tudo e sumir no vento?

 

Fiquei até onde a força deu conta,

 

Fui contra o vento, num frio esquisito.

 

O muro não protegia? Minha mente confronta:

 

Se aqui era calmo, por que esse conflito?

 

Sentindo medo, pensei em correr,

 

Mas não! Eu tenho que ficar insistindo,

 

Minha família está aqui, não posso perder,

 

Meus sonhos estão aqui, não posso ir caindo.

 

Mas a pressão pesou, não deu pra aguentar,

 

Decidi voltar para o outro lado do muro.

 

E foi mais difícil sair do que entrar,

 

Como se algo me prendesse no escuro.

 

Lutei, saí dali e olhei para o topo,

 

E vi o quanto aquele muro era alto.

 

Não culpo o dono por fechar o seu escopo,

 

Mas não posso mais aceitar esse assalto.

 

Sei que foi lindo, guardo o que foi bom,

 

Mas me machucar não é mais necessário.

 

Deixo os lembretes, mudo o meu tom,

 

E sigo a vida no meu. próprio itinerário.

  • Autor: a lonely poet (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de junho de 2026 22:48
  • Comentário do autor sobre o poema: Como prometido a versão mais lapidada dessa poesia, abraços.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 1


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