Na verdade eu queria estar perdido

Diógenes Fabricius

Perdido entre os prédios 

Os carros tinham um destino 

Você me olhou sob um sol gritante 

Foi nesse instante que tudo começou?

 

Agora eu tinha um lugar 

Olhares a me bajular 

Estava a salvo de qualquer pecado

Por que o mundo é mentira e cilada 

 

Me presentearam com os bordões 

A felicidade é apenas dos bons 

Seja belo e terás o céu 

O sofrimento é teu destino, ame-o

Nessas ilusões eu deitei minha cabeça 

 

Essa vida é só uma passagem 

Tudo é imagem de uma outra realidade.

 

Esquece aqui.

Se concentre lá.

 

Será que eu realmente estava a salvo?

Os ritos ensaiados 

As melodias que encantavam

Uma estética que rouba os olhos

E quanto aos feios e exilados?

 

Essa segurança não me convenceu 

Uma vida consolada me revoltava 

Numa noite eu beijei a contradição 

Na verdade eu queria estar perdido.

 

Um Deus adornado 

Mantos, luzes, nuvens, ideias

Como enxerga-lo?

 

Eu me lembro 

Meus olhos fechados

Sob uma árvore 

Eu e Deus, num gramado.

  • Autor: Diógenes Fabricius (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de junho de 2026 12:26
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
Comentários +

Comentários1

  • Shmuel

    Interessante! O poema demonstra que a elevação espiritual não está nas grandes coisas ou fórmulas prontas, mas sim na simplicidade do contato genuíno com o absoluto.

    Abraços



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