SAUDADES DE UM TEMPO

Rodrigo Melo


Tenho saudades de um tempo
em que havia beleza
em todos os detalhes,
em que não se mediam esforços
para deixar algo bem feito
e havia precisão em tudo.


O tempo partiu levando pressas, mas deixou o essencial:
cenas leves, passos que ainda cabem no bolso.
Já não peço retorno, tampouco lamento.
Saudade pede volta; eu apenas revisito.
Porque entendi — o valor do vivido está em tê-lo sido inteiro.
E isso, por si, é suficiente.
O passado repousa, agora, como luz mansa sobre a mesa.
Não fere — ilumina.


Guardo-o na lembrança,
e ele me ensina e me ilumina,
dando-me sabedoria;
em meio ao caos que sinto e vejo ao meu redor,
minha mente tenta se adequar,
porém por vezes caio num saudosismo,
tomado por paralisia.
E, se eu não me vigiar,
isso me enche de melancolia.


Me restou apenas uma lembrança,
Uma certa dor,
Aquele vazio sem preenchimento,
Mesmo sabendo de que foi um tempo bom,
Mesmo querendo reviver tudo aquilo,
Nada me deixa triste,
Na verdade fico feliz,
Pois mesmo sentindo saudade de um tempo,
Eu pude viver aquele tempo,
E nada apaga isso.


Sim, é inapagável, impagável
cada momento que foi memorável:
em conversas nas calçadas,
sem medo de assaltos,
a brincar com amigos de jogos de tabuleiro,
e também quando acolhíamos bem o tédio,
sem necessidade de distrações,
apenas vivendo bem todas as estações.

  • Autores: Rodrigo Melo, Sezar Kosta, Tio Mica Santos
  • Visível: Todos os versos
  • Finalizado: 22 de junho de 2026 11:30
  • Limite: 15 estrofes
  • Convidados: Público (qualquer usuário pode participar)
  • Comentário do autor sobre o poema: Única indicação é que seja voltado ao tema, às saudades das coisas boas do passado, seja na vida pessoal, na sociedade, no mundo...
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 7
  • Usuários favoritos deste poema: Spell mesclados


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