O sonho de Socrates

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                                  O SONHO DE SÓCRATES
                                   
                        Um conto filosofico as margens do rio Ilisso
                             
                             
                             
Assim me foi narrado pelo poeta......                             

Era uma vez..... em algum lugar de Atenas, Grécia...

Manhã clara... cigarras entoavam cânticos entre os galhos dos choupos e das dríades... e uma brisa leve acariciava as colunas da cidade.

E lá vem ele... o velho Sócrates, a divina cabeça, caminhando a passo sereno, pé ante pé, próximo aos portões da cidade, quando avistou Fedro, jovem poeta saindo da casa de Lísias, o retórico, com um pergaminho escondido sob o manto.

— Para onde vais a esta hora, meu caro Fedro, e de onde vens?

Pergunta Sócrates, com um pequeno sorriso nos olhos.

— Venho da casa de Lísias, filho de Céfalo, caro Sócrates, e vou dar um passeio até lá, fora das muralhas.

— Sim, então em que passaste o tempo?

— Contar-te-ei, se nada te impedir de me acompanhar e escutar — disse Fedro, astuto, sabendo que Sócrates nunca deixou Atenas antes.

— Pois conte! — disse Sócrates arqueando a sobrancelha, desconfiado...

— Acalma-te Socrates!!! Vês lá adiante? — apontou Fedro.

— Vejo sim!!! Há sombra, relva para nos deitarmos e silêncio... Se quiseres, podemos nos estender como os pastores de Homero!

— Que assim seja — disse Sócrates, e os dois se sentaram.

— Pois diga, o que escondes com a mão esquerda sob o manto?

— Então Sócrates, sabes que tenho por ti grande admiração. Estive a treinar uma poesia em que figuram Sólon, Hefesto e até quem sabe, Polímnia!!! Se assim a Musa desejar!!!

— Dizes então meu caro, estou diante de ti e espero que nao estejas a troçar!!!

— Sócrates, escuta...

 

 

 


 
 
                                       Poesia
                              
                                  O Sonho de Sólon

 


O martelo do ferreiro ecoa na pólis.
Uma tríade e, dentro dela, a trabalhar.
Homens de ferro em homens de ouro a transformar.

Mãos habilidosas... corações de ouro...

Fraternidade é a rota, caminhante — caminho.
Ó grande Musa, se não me engano.
Há uma Ítaca em cada ser humano.


— Então, o que me dizes Sócrates? Não te pareço estar possesso de uma divindade? Tamanha minha eloquência? Por Hera, espero não estar ofendendo nenhum deus!

— Decerto que não!!! Quisera eu ser como tu, quisera eu saber tocar a lira de Apolo... e transformar o ferro da ignorância em ouro da sabedoria! Tu és divino, caro Fedro! E se houvesse um concurso de poesias e contos, nos poríamos a trabalhar juntos, e se formos vencedores erigirei tua estátua em Olímpia, lado a lado com as oferendas dos Cipsélidas.

— Que seja então!!! Socrates!!!

— Mirifico amigo!!! Lisias lhe ensinaste bem!!! Todavia, meu caro, a retorica dos sofistas como Lisias e Trasimaco nao tem o poder de tocar a fundo a alma dos homens.

— Os faz parecer sabios quando na verdade nada ha de sabedoria, conduzem a alma ao engano pela vaidade, e sao por ora, tratados como reis... pois dizem aquilo que lhes e agradavel aos ouvidos, mas carecem de subistancia.

— Por conseguinte, ofereço a ti, Fedro, pai de belos filhos o hino de invocação das musas!!

— O hino de invocação das musas!!!! — repetiu Fedro

                                         
                                   
 

 

 

 

 

 

 


 
 
                      Hino de invocação das musas de Sócrates
       
                                  

Musas de canto cristalino, que nos observam em silencio nesse lugar de beleza.

Escutem o apelo desse mortal, que saiam da sua morada celestial e nos de o poder da sua eloquência.

Ó divina Musa, derrame sobre nossas cabeças o seu nectar sagrado, que sejamos tocados pela loucura divina, e que das nossas bocas saia beleza, e o que se admira, seja ainda mais admirável.

Ó divina Musa, permita que desçamos ate sua fonte, faz de nos instrumentos do seu desejo se assim desejares.

Que as cigarras cantadeiras, que outrora eram homems possuidos pela loucura, soprem coisas nos nossos ouvidos, coisas essas que nao podem ser ouvidas, vistas e nem tocadas, pois nao há ser no mundo digno de contemplar essa beleza.

Quisera que Homero estivesse aqui conosco, e tudo se transformaria em poesia, das flores sairiam notas musicais, da grama os grilos fazejos a vibrar, o percevejo a construir sua casa, o passaro a cantar, tudo em seu lugar...

Ó divina Musa, que o dia de hoje seja lembrado, e que aqueça o coração dos homens, para que eles com sua face voltada para o divino, dêem os frutos dignos do ser humano, e que no final da vida recebam a coroa de APOLO em suas cabeças.
 
Que assim seja, em nome de Zeus!!!

 

 

 

                                       
Ahh Sócrates....Maravilhosa melodia da primavera!!! Como se eu nao lhe conhecece Sócrates, é porque então, nao conheço nem a mim mesmo!!! Enquanto pronunciavas o teu hino, nao deixei de te observar, e vi que tua face se iluminava!!!

Fedro, fica estabelecida a diferença da poesia inspirada e do discurso animado pelas Musas!!!

Mas vamos!!! Temos que ajudar a preparar as oferendas da Deusa no Pompeon!

Vamos então!!!

E os dois voltaram para atenas...

 

 


                                       FIM

  • Autor: Sexy!mame (Offline Offline)
  • Publicado: 6 de junho de 2026 22:21
  • Categoria: Conto
  • Visualizações: 1


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