No quarto escuro mora o silêncio cansado,
Companheiro fiel do meu peito ferido,
O relógio insiste num tempo arrastado,
Enquanto procuro quem já foi perdido.
A saudade caminha descalça no chão,
Feito sombra sem rumo nas curvas da vida,
E o frio da noite abraça a solidão,
Como carta esquecida, e jamais respondida.
As estrelas parecem tão longe de mim,
Como sonhos antigos levados ao vento,
Tudo aquilo que foi teve um triste fim,
Restando apenas cinzas no pensamento.
Há um banco vazio no jardim da lembrança,
Onde o riso morava em tardes douradas,
Hoje o tempo levou minha antiga esperança,
Deixou portas fechadas e ruas caladas.
Mas ainda converso com a lua ao luar,
Mesmo quando a tristeza me chama baixinho,
Pois quem sofre aprende, sem nunca contar,
Que até a alma chora ao dormir sozinha.
E assim vou seguindo entre perdas e ais,
Colecionando ausências na palma da mão,
Porque às vezes o amor, quando parte, jamais
Deixa inteira a morada do nosso coração.
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Autor:
Brendon Leão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 6 de junho de 2026 14:22
- Categoria: Gótico
- Visualizações: 2

Offline)
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