Me embrulho com três cobertas
e o frio não passa,
quero que chegue a noite.
Não quero me levantar para cozinhar,
o alimento não se faz só,
a barriga dói,
não quero esperar nem mais um segundo.
A casa parece uma zona de guerra,
tudo ficou como quando você estava:
panelas com restos já tem larvas,
louça suja, espalhada por onde parei para chorar.
Roupas íntimas, minhas e suas
de três noites passadas
em combate do bem e do mal.
Todas as canecas usadas,
em cada canto da casa.
A louça empilhada na pia
me dá um frio na espinha
em algum momento
vou ter que enfrentá-la,
sem piedade de mim.
Meu corpo nu, caído
naquele chão azul.
Minha pele suja
de tanto rolar, tentando me acalmar
com saudades do último adeus.
Você me jogava naquele chão
sem perceber o quanto ele era frio,
sem vida.
Minha cama grita por você.
escuto o eco:
volta, volta, volta... ota, ota, ota...
Você vinha todas as noites,
me deixava tão suada
que o suor pingava.
Tão gentil, sempre dizia:
"vou te fazer a mulher mais feliz desse planeta."
e eu acreditava.
Eu já era a pessoa mais feliz do planeta,
tinha um amor que não media esforços
para me agradar,
sempre tão presente.
Mas os dias me deixavam só,
e só voltavas à noite,
para me amar loucamente,
como se estivéssemos
milhares de anos separados.
Até que um dia
você me jogou nessa cama,
sem muito interesse,
e disse que aquela noite
seria a última.
Não deu tempo de desesperar,
chorar, implorar: não vá.
Suas roupas já não estão mais aqui.
você partiu,
e me deixou em uma zona de guerra.
Quebrei tudo o que encontrei de pé,
menos a mim mesma,
pois já estava caída
naquele chão frio,
cheio de cacos meus.
Estou doente,
preciso de um remédio, teus beijos.
estou um lixo,
preciso que juntes meus pedaços
para que eu volte a viver.
Devolve aquelas noites quentes
que te dei, para que eu não morra sozinha.
Meus cabelos,
antes acariciados por você,
hoje são uma montanha de nós.
Quero te ver pela última vez,
para perguntar
o que te faltou,
que eu não pude te dar
e que foste procurar
nos braços de outra.
Volte, volte, volte... ite, ite, ite...
Minha doce ilusão...
ilusão, ilusão... ão, ão, ão...
-
Autor:
Eulinda Brícia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 6 de junho de 2026 11:07
- Comentário do autor sobre o poema: Por quantos vezes fomos deixados pelo um grande amor e ficamos aos cacos? Depois que passa estamos prontos para outro, não é mesmo rsrsrsrs.
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 4
- Em coleções: Desejo sobre os lençóis.

Offline)
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