Meu bem-te-vi, cante para mim.
— Não posso, fiquei sem voz.
Bem-te-vi, voe livremente até a mim.
— Não posso, cortaram minhas asas.
Bem-te-vi, assobie para mim.
— Não posso, estou triste.
Bem-te-vi, escute a minha voz.
— Não posso, fiquei surdo.
Bem-te-vi, toque uma melodia para mim.
— Não posso, não tenho dedos.
Bem-te-vi, mostre-me suas lindas penas
para realçar minha inspiração.
— Não posso, arrancaram todas.
Bem-te-vi, mostre-me sua beleza.
— Não tenho, perdi quando me capturaram.
Bem-te-vi, pare de chorar, me faça sorrir.
— Não posso, não conheço alegria.
Bem-te-vi, me traga esperança.
— Não posso, não sei onde está.
Bem-te-vi, me fale do seu primeiro amor.
— Não posso, perdi a memória.
Meu Bem-te-vi atenda meu chamado.
— Não posso, desconheço quem me falas.
Bem-te-vi, deixarei você ir.
— Não pode, não sei para onde ir.
Bem-te-vi, o que sobrou de você para mim?
— Somente bem ti vi.
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Autor:
Eulinda Brícia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 31 de maio de 2026 09:25
- Categoria: Fábula
- Visualizações: 4
- Em coleções: a poesia em vida.

Offline)
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