Você diz que me ama
Como quem risca um fósforo no chão
Dentro de uma casa em chamas
Esperando virar salvação
E eu fico ali parada
Entre fumaça e carvão
Não tentando salvar nada
Só sem força pra dizer não
Meu coração virou barro
Encharcado pela estação
Flores mortas no canteiro
Apodrecendo pela mão
E eu continuo aqui
Mas não por acreditar
É que alguma coisa em mim
Não consegue te deixar
E isso dói de um jeito
Que eu não sei explicar
Porque eu já não vejo encanto
Mas ainda não sei passar
Tem algo de humilhante
Em me assistir ficar
Enquanto cada pedaço meu
Implora pra escapar
Você segura minha mão
Como quem quer proteger
Mas me afunda devagar
Sem coragem de perceber
Você fala em futuro
Mas eu só ouço o som
De um vidro sendo quebrado
Frio, fino e sem tom
Às vezes penso
Com medo da conclusão
Que meu amor por você
Virou só repetição
Um pássaro machucado
Sem coragem de voar
Confundindo a porta aberta
Com incapacidade de escapar
— Naiumi
São Paulo, 27 de maio de 2026.
© Todos os direitos reservados.
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Autor:
Naiumi (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de maio de 2026 15:10
- Comentário do autor sobre o poema: Esse poema é sobre descobrir que, às vezes, o mais cruel não é ser machucado por alguém, e sim não conseguir ir embora mesmo depois de perceber que nada ali ainda é bom.
- Categoria: Triste
- Visualizações: 5
- Em coleções: Fragmentos de Existir.

Offline)
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