Resquiescat in pace

LF Text

Acenda, uma, duas, três vezes, apenas para apagar 
Outro que vive, outro que morre, resquiescat in pace 
Lóbulo frontal, efeito colateral, você pensa demais, feche os olhos 
Na frente do espelho, deixando a água escorrer, consegue tirar o sangue?

Olhos fixos, caos marejado, ignorância seria uma benção 
Sem atenção, amarre bem a corda, deixe o rosto afundar 
É frio, dentro do mundo, dentro da mente, dentro do quarto 
Quantos dias eu vivi? Quantos dias eu sobrevivi?

O peso da inutilidade, não tenha piedade de mim 
E eu sei que você sabe, que ela sabe, que todos sabem 
Fiquei em silêncio, intocado, guardado, o mar dentro de uma concha, serve bem 
Já fiz o meu papel, devo sair da peça, não tenho palco algum 

Eu escrevi para mim mesmo, eu não gosto de perder as coisas 
Orientados a ter um propósito, ainda não descobri o meu 
Carregue a espada no bolso, não quero sujar as mãos de novo 
Parece que sempre estou carregando almas sem vida, sendo a última pessoa que elas olham 

Não me deixe me puxar para trás, acredite no meu último suspiro 
Será o último recado, a última vez que já foi, o último minuto de arrependimento, a última chance que eu tenho
Eu tive medo, mas não disse, pagando o preço por cada um deles...

  • Autor: Marsh (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 27 de maio de 2026 18:34
  • Comentário do autor sobre o poema: Descanse em paz
  • Categoria: Surrealista
  • Visualizações: 2
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  • Em coleções: Culpa.


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