Eu espero.
Como quem deixa a luz acesa no fim do corredor
sem saber se há passos voltando
ou se a casa já foi esquecida.
Eu espero.
E é estranho
porque no silêncio
minha mente te inventa inteiro em outros lugares:
rindo de algo que não fui eu quem disse,
fazendo planos que não carregam meu nome,
dividindo o tempo
esse mesmo tempo que aqui em mim é só seu.
E ainda assim…
eu oro por você.
Todos os dias.
Como quem conversa com o invisível
porque já não alcança mais o que é carne.
Peço baixinho
que você esteja bem,
que esteja em paz…
mesmo que essa paz não me inclua.
E isso me rasga.
Porque enquanto eu dobro meus joelhos por você,
não sei onde você deita,
nem com quem divide os planos
que um dia eu sonhei em silêncio.
Eu sigo.
Leal como um cão que não entende ausência,
que deita na porta
mesmo depois de tantas noites vazias,
mesmo depois de aprender
que nem todo amor volta.
Porque eu não sei ser como os outros.
Não sei esquecer com facilidade,
não sei trocar de nome como quem troca de roupa,
não sei fingir que não foi inteiro
aquilo que me atravessou.
Mas ainda assim, eu espero.
E me pergunto
se teus olhos já se perderam em outros olhos,
se tua mão já encontrou abrigo em outra pele,
se há promessas sendo sussurradas
no mesmo tom que um dia imaginei pra nós.
E dói.
Não por saber,
mas por não saber.
Porque a dúvida é um fio invisível
que aperta mais do que qualquer verdade.
E no meio disso tudo…
me traio em ternura.
Lembro das coisas que a gente conversava
e começo a rir sozinha,
assim, do nada,
como se por um segundo
você ainda estivesse aqui.
É quase cruel
porque até a saudade em mim
tem carinho.
Ainda assim…
eu não me movo.
Não por falta de caminho,
mas por excesso de sentimento.
Eu sinto até o fim.
Eu fico até o fim.
Eu amo, mesmo no escuro,
mesmo sem resposta,
mesmo sem você.
E aqui fico
entre a esperança que me aquece
e o medo quieto
de estar sendo fiel
a uma história que só eu continuo escrevendo.
E mesmo assim…
ainda rezo.
Com uma fé quase teimosa
de que, de algum jeito que eu não entendo,
essas orações ainda te encontram
onde quer que você esteja.
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Autor:
legendary lady (Pseudónimo (
Online) - Publicado: 27 de maio de 2026 14:21
- Categoria: Triste
- Visualizações: 3
- Em coleções: Sobre nós.

Online)
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