Fogo em espiral, o céu se torna brasa.
Gritos de agonia rasgam o silêncio,
Alguém morre na minha frente,
Mas as chamas são fantasmas:
Não são reais, não queimam a pele,
Mas incineram a alma.
Sem aviso, sou lançada ao oceano.
De novo as águas, de novo o sal.
Por que o destino insiste em me jogar aqui?
Eu não sei nadar, meus braços pesam,
Eu me afogo no escuro do que não conheço.
O abismo me puxa.
3... 2... 1...
Respiro.
O ar volta, mas o cenário muda.
Uma casa estranha, onde o oxigênio é escasso.
Minha voz sumiu, minha garganta está seca.
Tento chamar, tento ser notada.
"Socorro!"
Mas ninguém olha. Ninguém para.
Passam por cima de mim como se eu fosse sombra,
Como se eu fosse o próprio chão.
Sou invisível no meio do caos,
E o fôlego, devagar, se esvai outra vez.

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