A Fofinha
não foi só uma cachorrinha,
foi presença,
foi passo fora do sedentarismo,
foi rotina que aprendia a ser afeto.
Carinhosa,
ainda que briguenta,
me ensinava que amor
também rosna às vezes,
mas nunca vai embora.
Todos os dias
ela esperava a caminhada
como quem espera o mundo,
ansiosa, inteira,
me puxando para a vida
com quatro patas e um coração enorme.
Havia o brinquedo favorito,
o convite silencioso para brincar,
o corpo todo faceiro dizendo:
fica mais um pouco comigo.
Hoje, a casa guarda ecos,
e a ausência pesa
como só pesa o que foi essencial.
Faz seis anos que ela partiu,
e ainda assim permanece —
porque há amores
que não se explicam,
apenas se sentem,
e nunca aprendem a ir embora.

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