Fantasma.

Laura Gomes

Você está me machucando,meu bem.
Pelo jeito que você me olha,
Pela forma que diz meu nome,
Como você me dá seu amor como uma recompensa.

O que mais eu posso dizer?
Um dia você me ama,
Outro desaparece de vista.
Você está me corroendo com essa dinâmica.

Porém,se você não quiser ficar ao meu lado,
Eu posso me contentar com seu fantasma.

Bom,eu posso sim - era o que eu afirmava.
Mas,eu quero o seu olhar caloroso,
Diga meu nome suavemente,
E me dê seu amor sempre.
Você é o meu êxtase.
Eu sinto sua falta mais do que tudo na vida.

  • Autor: Laura G. (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 26 de maio de 2026 19:44
  • Comentário do autor sobre o poema: Isso é uma carta aberta para minha mãe. Mãe,eu tenho tantas coisas a dizer para você,mas que você não me permite colocar em palavras tudo o que está preso em minha garganta por anos. Eu admiro quem você é e quem se tornou,eu amo todas as coisas em você,inclusive seus defeitos. Bom,eu queria que tudo fosse mais fácil e puro,que você me olhasse nos meus olhos e apoiasse quem eu sou ou quem eu me torno.Mas,mãe você torna tudo tão difícil odiando tudo em mim,retirando cada coisa viva em mim com seu jeito crítico e rígido.Cada olhar,desgosto ao dizer meu nome ou toda a rejeição que você tem de mim está influenciando quem sou eu hoje,que é uma mulher forte-fraca,que não aceita amor instantâneo,desconfiada,que é forte para os outros e fraca para si mesma,além de ser minha maior inimiga. Mãe,eu desejo com todo o meu ser que você me amasse como ama minhas irmãs,como se orgulha delas por respirar - eu queria ser amada sem ter que antes ter deixado minhas energias em algo. Mãe,eu quero que um dia você me ame,mesmo que isso demore.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 47
  • Usuários favoritos deste poema: Charles Araújo, Mirela, Freddie Seixas
Comentários +

Comentários2

  • Charles Araújo

    Passei por um momento difícil da vida e também tive problemas com minha mãe e com meu pai escrevi uma carta aberta para ele e minha mãe também.

    CARTA ABERTA AO MEU PAI

    Meu pai,
    escrevo esta carta com o coração aberto.
    Não apenas para o senhor e para a mãe, mas para todas as pessoas que já tiveram de justificar sua fé, sua dúvida ou o direito de pensar diferente.

    Nunca quis magoar o senhor, muito menos ser visto como subversivo.
    Apenas quero viver minha vida com minhas próprias escolhas.
    Não sou ateu ,apenas acredito nas coisas de um modo diferente do seu.

    Uma das coisas que mais me dói é ouvir o senhor dizer que TDAH é frescura, e que eu sou um “australopiteco” por acreditar na teoria da evolução.

    Mas o que quero mesmo falar é sobre nossa conversa de alguns dias atrás, quando o senhor me chamou para conversar.
    Perguntou por que me afastei da igreja, por que deixei de acreditar.
    Em certo momento, foi mais direto:
    — Por que você não acredita mais em Deus?

    Fiquei em silêncio.
    Não porque não tivesse o que dizer, mas porque tudo o que antes eram respostas hoje são perguntas.
    E também porque não gosto de discutir fé com o senhor.
    Sei o quanto ela é importante na sua vida e o quanto o senhor serve ao seu ministério na igreja com amor.
    Não quero feri-lo, nem desrespeitar a fé que o sustenta.

    Mesmo assim, preciso que saiba o que carrego no coração.

    Quando eu acreditava, o mundo parecia mais simples.
    Eu via um propósito invisível em tudo e sentia que havia alguém ouvindo minhas orações.
    Mas o tempo ,esse mestre paciente e também cruel me ensinou que o silêncio às vezes fala mais do que qualquer resposta.

    Não deixei de acreditar em Deus; deixei de acreditar no Deus cristão que me ensinaram.
    Aquele que escolhe uns e abandona outros, que pune, ameaça, divide e promete recompensas como se a vida fosse um jogo de obediência.
    Não consigo mais enxergar amor nessa lógica.
    De ser obediente para ser protegido, mas ser condenado ao castigo se não obedecer.

    Esse Deus que eu conhecia morreu em mim no dia em que percebi que o sofrimento não escolhe lado: atinge bons e maus, crentes e descrentes.
    Vi dor e injustiça demais para continuar acreditando que existe um plano perfeito.
    Entendi que talvez não haja lógica alguma e, mesmo assim, precisamos continuar vivendo.
    Talvez seja isso a fé: viver sem garantias

    O senhor e os demais pregadores da igreja costumam dizer:
    “Provai e vede que o Senhor é bom.”
    Eu nunca pedi nada material a Deus, e o senhor sempre soube disso.
    Sempre servir com toda a fé e devoção que alguém pode ter.
    Mas decidi “provar” justamente nos dias em que mais precisei ,nos dias mais difíceis que já vivi.

    E o céu se calou.
    Não encontrei consolo nas promessas nem nos discursos da igreja.
    Encontrei força em mim, na minha vontade de viver, e em alguns poucos gestos humanos sinceros ,gestos que, naquele momento, nem vieram de casa.

    Enfrentei uma depressão profunda.
    E não fui salvo por nenhum milagre.
    Fui salvo por mim mesmo, por ajuda profissional e, como já disse, por alguns gestos humanos verdadeiros.
    Nem sempre o senhor e a mãe souberam como estar ali , e eu entendo. Minha mãe chegou a dizer que não trocaria o Deus dela pela minha recuperação quando pedir ajuda a ela.
    Mas a dor aumentava mesmo quando diziam que tudo o que eu passava era consequência da minha desobediência a Deus, que desde que me dediquei aos estudos me tornei ateu, e que minha depressão era castigo divino.

    Doía também ver que nenhum dos irmãos da igreja vinha me visitar.
    A mim, isso pouco importava,
    mas doía ver como todos retribuíram a vocês dois pela dedicação à igreja e ao ministério, e enquanto vocês saia para visitar que vivia mandando mensagem para meu pai , eu me atrofiava dente do meu quarto, nem chorar eu conseguia mas.

    Tudo isso pesou nas minhas decisões, mas não julgo ninguém.
    Cada um responde à própria consciência.

    Hoje, não procuro mais o céu.
    Procuro presença.
    Encontro Deus nas pessoas, nas pequenas coisas, nos encontros que me fazem bem.
    Ele está no olhar que acolhe, no abraço que acalma, nas quedas que despertam.
    Não está acima , está dentro e ao redor, em tudo que vive e sente.

    Talvez o senhor me veja diferente, mais distante, e ache que abandonei a fé.
    Mas, pai, eu só mudei o caminho.
    Continuo buscando.
    O Deus que me acompanha agora é o da consciência, do tempo e da ternura.
    Não promete nada, mas também não engana.
    Apenas caminha comigo, em silêncio, ajudando-me a entender quem sou.

    E se há algo que aprendi nessa caminhada, é que o divino nunca esteve fora ou distante.
    A gente é que precisa aprender a enxergá-lo de outro jeito dentro de nós,
    sem medo, sem culpa, e com o coração aberto para o mistério de existir.


  • Freddie Seixas

    Confesso que a emoção tomou conta dos olhos ao ler...



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.