Entrou pela porta o móvel sagrado
Que veio do outro, de história estrangeira,
Trazendo consigo o horror camuflado
Na fibra ordinária de sua madeira.
Não era meu o tecido, a textura,
Mas veio o alheio reter meu espaço,
Trazendo na esponja a dor mais escura,
O cheiro da lama, do erro, do baço.
O olfato não mente: o cheiro do ralo,
Da podridão que o outro viveu,
Bateu na parede, ecoou no estalo
De um pesadelo que agora é meu.
A sala apodrece no aroma impregnado,
A desgraça alheia virou inquilina,
O cheiro do medo ficou ancorado
Na trama maldita que o vento domina.
É um perfume de perdas passadas,
Fotografia que o tempo azedou,
Memórias de vidas ali desgraçadas
Que o estofado do outro guardou.
Não há desinfetante ou vento que mude
A fixação desse cheiro fantasma,
Que expõe meus temores com exatidão,
E prende a minha alma no mesmo miasma:
O trauma do alheio na minha visão.
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Autor:
Andre Matheus (
Offline) - Publicado: 25 de maio de 2026 10:48
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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