O RASTRO DO TEMPO

Fábio Alves Leão

Passa-se o tempo, como o vento que vaga,

Soprando mudanças em tudo que afaga.

Os medos que ontem nos fizeram tremer,

Hoje são sombras que aprendemos a ver.

 

Muda-se o medo, de monstros no escuro,

Para o vazio do silêncio mais puro.

De errar o caminho, de ser incompleto,

Para o medo de perder o afeto.

 

E os sonhos, que antes eram tão altos,

Feitos de castelos, reinos e saltos,

Agora se vestem de cores reais,

Buscando beleza nas coisas normais.

 

Já não quero o mundo, nem todas as estrelas,

Quero mãos que segurem, palavras que zelam.

Sonho com risos que o tempo não leva,

Com olhos que enxergam além da entrega.

 

O tempo transforma, mas não nos desfaz,

Somos a soma do que ele nos traz.

Os medos, os sonhos, as marcas, as dores,

São partes da vida, seus muitos sabores.

 

E ao fim dessa dança, de mutação e essência,

Restará a certeza de uma existência:

Que mudar é o rumo que nos faz crescer,

E que o tempo é o espelho de quem vamos ser.

  • Autor: Brendon Leão (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 25 de maio de 2026 06:37
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: moloch


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.