(Lucien Vieira)
Atualmente, tenho recebido com maior frequência a visita de minhas lágrimas. Devo dizer-lhes, contudo, que, a essa altura do tempo de longevidade, já se me tornaram íntimas e, como tal — diferentemente de antes, quando era adepto da cultura machista que equivocadamente dizia que homem não chora —, as recebo todas com afeição cavalheiresca.
Até porque, cada uma delas, com propriedade, poderá, ao prazer, relatar-me em minudências e absoluta clareza o desenrolar de minhas trajetórias. Assim, vez ou outra, segredam-me, por exemplo, em detalhes, sobre os momentos em que fui outro; ou mesmo acerca dos equívocos conexos ao que suponho ser hoje; contam-me a respeito de histórias alheias de que sou parte, histórias de risos, histórias de dores.
De modo que busco entender tais ocasiões, enfim, apenas como um ensejo para críticas conscientes ao meu saltério vivencial, em que, sob ângulos distintos, observo-lhe a morfossintaxe, a pontuação etc. e, conforme o meu nível gramatical atual, o avalio.
Disso, arrisco-me a afirmar que continuo buscando “aquele docente mais graduado” que me garantirá a total segurança nesse meu processo de formação. Poderia, inclusive, sugerir que — analogamente aos princípios darwinistas — coube à seleção natural, na proporção do tempo, constatar ou desconsiderar minhas personalidades socialmente excludentes, tornando a remanescente a mais notável de todas, a qual em nada se assemelha às anteriores.
No geral, sob quaisquer aspectos, é a que melhor se amolda a esse meu processo de formação, cujo tempo de graduação é infindo. Formação? Sim, seria, sobretudo, a formação norteada por meio dos moldes da sublimidade espiritual.
-
Autor:
Lucien Vieira (
Offline) - Publicado: 24 de maio de 2026 14:15
- Comentário do autor sobre o poema: ... é um texto que reflete sobre o amadurecimento humano, emocional e espiritual a partir da metáfora da gramática. Nele, o autor apresenta a vida interior como se fosse um texto em constante revisão, aprendizado e correção (IA).
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 5

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.