Não, senhor.
O fato de seus problemas serem diferentes dos meus não lhe dá o direito de dizer que eu não tenho problemas. Isso não é maturidade, é apenas falta de empatia e incapacidade de compreender que cada consciência carrega dores próprias.
Existe um sofrimento silencioso na mente inquieta, na angústia constante, na sensação de estranhamento diante da própria existência. Há dor em perceber demais, pensar demais e carregar uma lucidez que frequentemente machuca mais do que conforta. E o pior: perceber que a própria tristeza afeta outras pessoas, criando culpa sobre alguém que já está cansado de si mesmo.
Mas o senhor reduz tudo ao que consegue entender.
Se a dor não se parece com a sua, então para o senhor ela não existe.
Essa é a forma mais pobre de interpretação humana: transformar a própria experiência na medida absoluta do sofrimento alheio.
E quando mostro certas verdades, mesmo misturadas às minhas contradições e mentiras, ainda assim poucos percebem algo simples: ninguém conhece verdadeiramente o outro. As pessoas preferem acreditar numa imagem confortável do que encarar a complexidade real de alguém.
Talvez porque seja mais fácil chamar alguém de exagerado do que admitir que existem dores que não podem ser vistas.
Mais fácil negar a angústia alheia do que reconhecer a fragilidade da própria visão de mundo.
No fim, não é que eu não tenha problemas.
É apenas que sua compreensão humana é limitada demais para enxergá-los.
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Autor:
Thomas Vasconcellos Ivanov (
Offline) - Publicado: 23 de maio de 2026 18:34
- Categoria: Não classificado
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Offline)
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