Bom demais para ser verdade

Eulinda Brícia

Naqueles dias solitários dei fim.

Casa pequena,

um grande palácio.

Mas, de fato, sempre almejei um palácio.

Por várias noites dormi sozinha

— era um verdadeiro prazer.

Preparava o que comer

sem olhar a hora no relógio.

Não tinha com o que me preocupar.

De vez em quando,

fazia faxina na madrugada,

e ninguém reclamava.

Não tinha vizinhos.

Às vezes chorava alto

e ninguém ouvia.

Que alívio.

Agora há um palácio de verdade,

longe da cidade.

Me entrego ao campo.

O desejo de ter um jardim

tenho sem limite de andar.

Os vizinhos, um pouco distantes, fofoqueiros, querem dar opinião. mas me mantenho afastada.

Eu continuo chorando alto,

mas não deixo ninguém escutar.

Não é tristeza,

é para aliviar a carga

do meu fardo.

A família é mais presente,

mas não quero ser um peso,

e sim uma bênção.

Nem todo familiar é família,

e nem toda bênção,

para uns, é para outros.

Mas vou continuar vivendo

no meu palácio,

sendo a rainha do meu lar.

 

Comentários +

Comentários1

  • Apegaua

    Ficou supimpa o dito do tal poema.
    Por que no final, fechaste a porta jogando a chave fora.
    Assim como, quem ler e que se faça a sua interpretação.
    A minha e de que e duro a solidão, mas quando alguém ingressar nesse seu palácio.
    Procura saber se a alma e gêmea, pois se não for, adeus felicidade.
    Por que, as vezes por turvar a água límpida e que ficamos com nojo de beber.
    Abraços, jovem poeta.
    Apegaua

    • Eulinda Brícia

      oh, meu caro amigo, muito boa observação



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