Isso não é um poema.

Odalila Sousa

O conto: O perdão que não pôde ser perdoado. 

 

Caro leitor, este é um conto breve. Espero que você entenda sua mensagem e perceba que, enquanto ainda há tempo, um pedido sincero de perdão vale mais do que um pedido de desculpas meia boca.

 

Eu visitava meu pai todos os fins de tarde, depois de um dia cansativo na padaria da minha mãe. Na verdade, eu estava assumindo o lugar dela desde que meu pai, seu marido, adoeceu. Ela passava o dia inteiro cuidando dele até eu voltar do trabalho e poder ficar ao seu lado para que ela fosse fechar a padaria.

Mas, no dia 06/06/2006, às 18 horas, horário em que eu sempre saía do trabalho para vê-los, fiquei sozinha com meu pai, como em tantas outras vezes.

Ele estava sentado na cadeira perto da janela, olhando para fora. Eu estava ao lado, tomando uma xícara de café.

Então ouvi um barulho estranho vindo dele.

Pensei que fosse mais uma de suas crises repentinas. Apenas o tirei da cadeira e o coloquei deitado na cama. Sentei-me ao seu lado.

O barulho havia parado.

Ele apenas me olhava, fixamente.

E, aos poucos, seu olhar ia se apagando.

Eu não entendia exatamente o que estava acontecendo.

Peguei novamente minha xícara de café. Agora ele estava frio e amargo. Coloquei a xícara de volta sobre a mesa e olhei para meu pai outra vez.

Foi então que entendi.

Ele já não estava mais completamente aqui.

Desabei em lágrimas, arrependida por não ter feito, enquanto havia tempo, aquilo que eu deveria ter feito há muito tempo: perdão.

Foi como deixar o café esfriar, só por pensar que nunca esfriaria, não na minha vez de beber.

Mesmo vendo-o partir aos poucos, pedi perdão pela primeira vez.

Mas não obtive resposta.

Ele já não tinha forças para falar… pois já não está mais aqui. 

  • Autor: Odalila Sousa (Offline Offline)
  • Publicado: 21 de maio de 2026 11:42
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 9
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua
Comentários +

Comentários1

  • Apegaua

    Todos nos pedimos desculpas por alguma coisa.
    No seu caso, só você sabia o por que, no meu por ter ido a leitura, por não acreditar que o seu conto não era um poema.
    Prazer.
    Apegaua



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