Sino de Comentário: Para a Poetisa, Maria Dorta, que ouviu a Ponte.

Sinvaldo de Souza Gino

Sino de Comentário: Para a Poetisa, Maria Dorta, que ouviu a Ponte.

Um poema atravessou o rio  
com suas tábuas de verso,  
feito de margem e assobio,  
de silêncio e de universo.

Mas foi só quando Maria Dorta  
leu e disse “Uau!” de repente,  
que a ponte ganhou comporta  
e o rio virou corrente.

“Que poema fantasticamente belo!”,  
ela escreveu com tinta de encanto.  
E o verso, que era só castelo,  
virou badalo e quebrou o pranto.

“Toca nossa alma”, ela falou.  
E a alma, que andava surda,  
num susto de luz se acordou  
ao som de uma nota absurda.

“Faz-nos ouvir sinos a tocar.”  
E os sinos tocaram mesmo,  
não na torre, mas no ar,  
num bronze de verso espesso.  

Um comentário é só palavra,  
mas o dela veio com vento.  
Ergueu a ponte que era trave  
e fez do rio um instrumento.

Então, “Parabéns!” ela encerra.  
E o poeta, que estava só,  
percebe que não há terra  
sem o eco de um “Uau!” só.

Porque toda Ponte de Verso e Rio  
precisa de um ouvido certo.  
E quando Maria Dorta lê,  
até o silêncio vira concerto.

  • Autor: GINO (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 19 de maio de 2026 13:03
  • Categoria: Amizade
  • Visualizações: 8
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua
Comentários +

Comentários1

  • Apegaua

    Rapaz, o seu dito em homenagem ficou um mimo, mas toma cuidado que a poetisa e braba que só.
    Vá que puxe uma peixeira, o o sarau arrumado que o poeta se enfiou.
    E se pedir socorro, esqueça a nossa amizade, pois quando vejo peixeira tremo mais que vara verde.
    Abraços.
    Apegaua.



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