Há uma estranha violência
naqueles que dizem me compreender.
Não porque me odeiem,
mas porque me atravessam
como quem olha para um espelho
e não para um homem.
Dizem:
“eu me identifiquei com você.”
E então eu desapareço.
Minha dor deixa de ser minha,
meu clamor perde identidade,
e tudo aquilo que sangrei em palavras
vira apenas reflexo
da experiência de outro alguém.
Mas eu não queria ser reflexo.
Queria que olhassem para mim
sem a necessidade desesperada
de me traduzirem para si mesmos.
Porque há algo cruel
em transformar alguém
numa versão familiar do próprio mundo.
É como arrancar a individualidade de um corpo
e chamá-lo de conexão.
Tentam me compreender
comparando.
Tentam me acolher
me reduzindo.
E quanto mais falam
que me entendem,
mais distante me sinto.
Porque não quero ser encaixado
em memórias alheias,
nem dissolvido
na interpretação de ninguém.
Quero apenas existir
sem ser convertido
num símbolo confortável.
Mas talvez isso seja impossível.
Talvez ninguém enxergue ninguém.
Talvez apenas procurem
fragmentos de si mesmos
perdidos dentro dos outros.
E talvez seja por isso
que até o ato de ser ouvido
às vezes parece solidão
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Autor:
Thomas Vasconcellos Ivanov (
Offline) - Publicado: 16 de maio de 2026 09:31
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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