Vem rápida e traiçoeira,
Abre tua goela em brasa
E como cobra rasteira
Meus sentimentos arrasa!
Vem tímida e amorosa,
Abre tuas pétalas quentes
E como um botão de rosa
Meu coração acalenta!
Vem triste e deprimida,
No escuro de tua fossa;
De tua paixão reprimida
Faremos a vida nossa!
Vem alegre e inconsequente,
Dançando o amor e o Sol
E te entrega de repente
De baixo de meu lençol!
Vem sinuosa e vibrante,
Com fogo, fulgor e fúria
E te entrega num rompante,
Desvairada de luxúria!
Vem pura e inocente,
Infantil e recatada,
Chora lágrima candente
De santa violentada!
Mas vens por favor,
Vem agora!
Mas vens, meu amor,
Pois embora
Deseje teu corpo lindo,
O tempo é mau aliado
Pois todo o amor é perdido
E desejo sepultado.
E o vento de inconstâncias
Que compõe a tua forma
Com minhas várias infâncias
Ao nosso conjunto torna
Como dois pontos distantes,
Como dois longínquos mares
Só se tocam os instintos
Em encontros seculares!
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Autor:
G. Mirabeau (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 15 de maio de 2026 18:12
- Categoria: Amor
- Visualizações: 2

Offline)
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