Sussurros de ferro em solo crestado, Um fetiche de aço, por foice forjado. Não nasce da terra, mas do fogo e da dor, O herdeiro bendito do frio e do horror.
A Gênese do Caos
Nas curvas do cano, o desenho da morte, Onde a têmpera russa decide a sorte. O AK-47, de alma rústica e crua, Dança o frevo do sangue em qualquer ruela nua. Seu recuo é o soco de um deus esquecido, O estalo do osso, o grito contido.
As variantes proliferam como praga no trigo:
AKM O metal estampado, o peso do inimigo.
AK74 O veneno em calibre menor, Onde a bala tomba e o estrago é maior.
AKS-74U: A fera curta, de fúria compacta, Cospe fogo em silêncio na noite inexata.
Nas trincheiras de gelo, o suspiro de chumbo, A PKM dita o ritmo do mundo. Um cinto de elos, serpente de aço.
O carregador curvado, feito lua minguante, Alimenta a fome de um cano constante. A madeira de bétula, manchada de graxa, Guarda o calor de quem o gatilho relaxa. Não trava na lama, não falha , Deixa o mundo em cinzas, e o homem só.
"É o som de trinta martelos batendo em um caixão de zinco."
Do Vietnã às favelas, do deserto ao cais, Seu nome é o eco de guerras imortais. Um ícone nefasto de traço perfeito: Onde o AK aponta, o abismo é no peito.
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Autor:
Poesia Abandonada (
Offline) - Publicado: 13 de maio de 2026 18:10
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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