Madre Solidão

Ricardo Maria Louro



Há um tecto muito antigo

naquela casa onde vivi

testemunha do perigo

da infância que sofri!

 

Um tecto com goteiras

como os olhos que sofreram

sem limite nem fronteiras

para as dores que me deram!

 

Naquele tecto outrora feito

por mãos que a morte acarinhou

estava posta ao seu jeito

 

uma Madre que o tempo consagrou!

Uma Madre escusa e fria que no leito

em solidão tantas vezes me tapou!.

 

(À Madre do tecto da casa da Quinta do Malhão em Évora onde passei parte da minha infância. Casa hoje inexistente. Fica a memória e a saudade...)



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