Os Bastardos do Raio
Zeus não sabia ser fiel no Olimpo,
Descia do céu com sede de mundo.
Trocava a águia pelo disfarce,
E no colo das mortais era profundo.
De Alcmena veio o mais forte:
Hércules, o de doze dores.
Meio deus, meio homem, inteiro culpa,
Matou leão, matou hidra, matou amores.
Carregou o céu nas costas,
Mas não aguentou o peso da própria história.
De Danae, presa em torre de bronze,
Chuva de ouro foi seu cortejo.
Nasceu Perseu, o que corta a noite,
Decapitou Medusa com olhos no espelho.
Salvou Andrômeda do monstro,
Mas não salvou a mãe do destino grego.
De Europa, raptada em forma de touro,
Veio Minos, rei de Creta e labirinto.
Julgava mortos no submundo,
Filho do deus, carrasco e distinto.
O sangue divino virou lei,
E lei virou prisão pra gente inocente.
De Leda, visitada como cisne,
Nasceram gêmeos e guerra:
Helena, rosto que lançou mil navios,
E Pólux, que dividiu com Castor a estrela.
Beleza que incendiou Tróia,
Irmandade que enganou a morte.
De Sêmele, que pediu pra ver o deus,
E virou cinza diante do raio inteiro,
Nasceu Dionísio, duas vezes parido,
Da mãe morta e da coxa do deus verdadeiro.
Deus do vinho, do teatro, do delírio,
Filho da mortal que ousou amar o fogo.
Todos filhos do trovão,
Nenhum filho do matrimônio.
Hera odiava cada berço,
Cada choro era testemunho.
Zeus dava poder, dava nome,
Mas nunca dava colo.
Meio deuses, inteiros tragédias.
Heróis porque o pai era ausência.
Matavam monstros que o Olimpo criava,
Pagavam promessas que o deus não lembrava.
Porque ser filho de Zeus com humana
É nascer já devendo uma guerra.
É ter o céu no sangue,
E o inferno na terra.
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Autor:
GINO (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 12 de maio de 2026 20:21
- Categoria: Fantástico
- Visualizações: 3

Offline)
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