SEM CULPA, SEM MEDO

Fábio Alves Leão

Nos cantos da noite, onde o mundo adormece,

dois corpos se buscam, desejo que aquece.

São passos furtivos em chão tão conhecido,

um encontro de almas num pacto escondido.

 

Na penumbra, os olhares são faíscas no ar,

tudo diz sem palavras, só resta tocar.

As mãos percorrem trilhas de pelos e pele,

onde o amor não se explica, só sente, só fere.

 

Os pés se entrelaçam num jogo discreto,

fetiche calado, desejo completo.

Beijos queimam o tempo, dissolvem razão,

num enlace febril, respira o coração.

 

A camisa rasgada cai sem resistência,

um peito se abre, explode a carência.

Beijos molhados, famintos de sede,

mordem a boca, sem plano, sem rede.

 

Os corpos se abraçam num perfeito enredo,

língua passeia, desliza sem medo.

Cada dedo, um altar, cada gesto, um delírio,

o cheiro da pele entorpece meu ofegante respiro.

 

Nos lençóis do silêncio, a paixão se despe,

em cada arrepio, a verdade aparece.

Homens que se amam com furor e ternura,

na febre da carne, na paz da loucura.

 

Beijo teus calcanhares, depois a ponta dos dedos,

cada toque é pecado, são divinos segredos.

Minha língua suga este mel, sem culpa, sem pudor,

me alimento do gosto que escorre do amor.

 

Teu olhar que penetra, tua pele, um vulcão,

As pernas abertas perdi a noção.

Me ajoelho em adoração, tua carne me chama,

no altar do desejo, acendo essa chama.

 

Quando teu mel jorra quente na minha boca sedenta,

São orgasmo e oração, é a verdade que fermenta.

Engulo o gozo como se fosse sagrado,

Com gosto, com honra, com meu corpo rasgado.

 

Teu suor nos meus lábios, teu cheiro em meus poros,

o prazer escorrendo, sem freio, sem coros.

É mais que luxúria, é paixão violenta,

É o amor que arde, que domina e sustenta.

 

Atrás da cortina, gemidos contidos,

O amor se faz arte em corpos unidos.

Não há vergonha, só fome, só cio,

No atrito das carnes, no tempo vazio.

 

E agora, exaustos, nos deitamos suados,

os olhos confessam: somos dois apaixonados.

Porque por trás da luxúria que tanto nos consome,

há romance, ternura… há amor entre os homens.

 

E mesmo que o mundo jamais nos aceite,

há um céu particular onde o amor se deite.

Porque o que há entre nós vai além do prazer:

É chama que arde, é querer sem temer.

  • Autor: Brendon Leão (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 12 de maio de 2026 07:30
  • Categoria: Erótico
  • Visualizações: 1


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