NUVENS VESTIDAS DE GENTE

joaquim cesario de mello

 

Um poeta não se mede
pelos centímetros de sua altura,
nem pela circunferência de seu abdômen 
ou pelo peso de sua massa corporal.

Não há poetas altos ou baixos,
gordos ou magros,
esbeltos, franzinos ou pesados,
porquanto são como nuvens 
formadas pelos suspiros dos homens
e pelo suor da terra evaporados,
que voejam no céu sem asas,
indo além dos horizontes olhados.

Todo poeta é um tanto enviesado,
inquieto, buliçoso e desassossegado,
que às vezes atravessa semáforos fechados
e veste sua máscara, colocando-a ao contrário.

O poeta é alguém que atira pedras
catadas no interior dos dicionários.

Os poetas são nuvens vestidas de gente

 

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Comentários2

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poeta! Este poema define a poesia como algo que transcende a matéria. O autor desconstrói o aspecto físico do poeta para revelar sua essência: uma figura feita de subjetividade (suspiros) e trabalho (suor).O texto destaca a natureza rebelde e inquieta do artista, que ignora regras sociais (atravessa semáforos) e usa as palavras como armas de transformação (atira pedras). A imagem final, nuvens vestidas de gente, resume perfeitamente a ideia de que o poeta é um ser etéreo e livre, temporariamente habitando um corpo humano. Parabéns por seu poema! Abraço poético.

    • joaquim cesario de mello

      Vilma, como sempre, vc arrasa em seu comentário. Acho muito profícuo, minucioso e aprofundado suas análises. Vc tem um estilo próprio e lírico de analisar o texto, vasculhando-o com olhares ímpares, gerando, assim, uma verdadeira prosa a partir dos poemas escrutinados. Um texto germinado e justaposto, que chega a transceder o que é inicialmente apreciado. Obrigado, e parabéns pela narrativa compatilhada

    • Maria dorta

      Aplausos de pé pelo belo poema!



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