TÃO QUERER

G. Mirabeau

Quero-te.

E por querer-te tanto

Não te quero!

 

Sei... O amor nem sempre

É puro ou belo,

- Não fere mais

O fio do cutelo!

 

Traz-nos medo...

À solidão aponta o dedo.

Corta o retorno.

Ilude em fogo morno!...

 

Quero-te.

Mas não te quero

Tão querer...

E emoção maior não há

Que ver-te.

Mais será morte...

Menos perder-te...

  • Autor: G. Mirabeau (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 10 de maio de 2026 20:00
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 5
  • Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira
Comentários +

Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poeta! O poema constrói uma estética do paradoxo amoroso, onde a intensidade do sentimento gera a necessidade do distanciamento como autodefesa. O ponto central baseia-se na antítese: Quero-te / Não te quero, revelando o medo de ser consumido pelo excesso de desejo. O sentimento é despido de romantismo e associado à dor (fio do cutelo), ao medo e ao isolamento (à solidão aponta o dedo). A paixão é descrita como uma armadilha (ilude em fogo morno) capaz de bloquear saídas e destruir a autonomia do eu lírico (corta o retorno). Ver o ser amado é o ápice da emoção, mas ir além disso significaria a morte da individualidade. O eu lírico prefere a dor controlada da ausência (perder-te) ao perigo da entrega total, escolhendo a renúncia como forma de autopreservação. Parabéns por seu poema! Meu abraço fraterno.

    • G. Mirabeau

      Obrigado pela gentil avaliação de minha poesia. Análise como sempre profunda e inteligente. E, como sempre também, conseguindo capturar a essência e a emoção da poesia que eu desejava expressar. Uma leitura clara e cristalina que demonstra sua admirável sensibilidade. Um abraço.



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