O nome que o universo esqueceu de dar ao amor

Arthur Wallace

O nome que o universo esqueceu de dar ao amor”

Antes de você,

eu achava que sobreviver

já era uma forma suficiente de existir.

Os dias passavam por mim

como chuva em telhado velho:

faziam barulho,

mas não ficavam.

Eu colecionava ausências.

Coisas quebradas.

Partes minhas espalhadas em lugares

que nem existem mais.

E então—

você.

Não como milagre.

Milagres são fáceis de entender.

Você foi confusão.

Porque como alguém pode entrar tão devagar

na vida de outro alguém

e ainda assim mover continentes por dentro?

Você não abriu portas.

Você fez nascer janelas

em paredes que eu jurava serem eternas.

E talvez você nunca saiba

o que significa encontrar alguém

quando já se estava cansado de procurar até sem perceber.

Porque existe um tipo de solidão

que não é estar sozinho.

É sentir que ninguém jamais pisaria

nas partes mais fundas da gente

sem se assustar.

E então você apareceu.

Com seus defeitos.

Seus silêncios.

Seu jeito às vezes difícil.

Seu jeito humano.

E, estranhamente,

foi isso que me fez ficar.

Porque pela primeira vez

eu não queria amar uma ideia.

Eu queria amar alguém real.

Alguém que às vezes erra.

Às vezes some dentro dos próprios pensamentos.

Às vezes parece distante.

Mas ainda assim…

ainda assim consegue existir

como uma das coisas mais bonitas

que já tocaram minha alma.

E Deus…

como é assustador sentir algo assim.

Porque amar alguém desse jeito

é entregar um pedaço invisível do coração

e fingir coragem.

É olhar para o futuro

como quem segura água nas mãos:

querendo muito que fique,

sabendo que pode escapar.

Às vezes eu penso

que o amor deve ter nascido do medo.

Porque só sente medo de perder

quem finalmente encontrou algo

que vale a pena manter.

E eu não sei o que vai acontecer amanhã.

Não sei se o tempo muda pessoas.

Não sei se a vida inventa distâncias.

Não sei quantos ventos existem

capazes de mover dois corações para longe.

Mas sei disso:

Se um dia perguntassem

qual foi a coisa mais profundamente humana

que já senti—

eu falaria de você.

Porque você me fez perceber

uma coisa terrível e bonita:

Que às vezes uma pessoa

não salva a nossa vida.

Ela apenas aparece…

e faz a vida parecer

algo que finalmente vale a pena ser vivida.

E talvez seja isso o amor.

Não fogos.

Não promessas impossíveis.

Mas encontrar alguém

que faz o peso do mundo parecer menor

só porque existe.

E se algum dia,

num universo distante,

eu tivesse que explicar você para as estrelas—

eu acho que diria:

“Eu conheci alguém

que sem perceber

me ensinou que até os corações cansados

ainda podem florescer.”

E talvez as estrelas ficassem em silêncio.

Porque existem sentimentos

que até o universo

leva tempo para entender.

  • Autor: Arthur Wallace (Offline Offline)
  • Publicado: 10 de maio de 2026 02:28
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 1


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