O nome que o universo esqueceu de dar ao amor”
Antes de você,
eu achava que sobreviver
já era uma forma suficiente de existir.
Os dias passavam por mim
como chuva em telhado velho:
faziam barulho,
mas não ficavam.
Eu colecionava ausências.
Coisas quebradas.
Partes minhas espalhadas em lugares
que nem existem mais.
E então—
você.
Não como milagre.
Milagres são fáceis de entender.
Você foi confusão.
Porque como alguém pode entrar tão devagar
na vida de outro alguém
e ainda assim mover continentes por dentro?
Você não abriu portas.
Você fez nascer janelas
em paredes que eu jurava serem eternas.
E talvez você nunca saiba
o que significa encontrar alguém
quando já se estava cansado de procurar até sem perceber.
Porque existe um tipo de solidão
que não é estar sozinho.
É sentir que ninguém jamais pisaria
nas partes mais fundas da gente
sem se assustar.
E então você apareceu.
Com seus defeitos.
Seus silêncios.
Seu jeito às vezes difícil.
Seu jeito humano.
E, estranhamente,
foi isso que me fez ficar.
Porque pela primeira vez
eu não queria amar uma ideia.
Eu queria amar alguém real.
Alguém que às vezes erra.
Às vezes some dentro dos próprios pensamentos.
Às vezes parece distante.
Mas ainda assim…
ainda assim consegue existir
como uma das coisas mais bonitas
que já tocaram minha alma.
E Deus…
como é assustador sentir algo assim.
Porque amar alguém desse jeito
é entregar um pedaço invisível do coração
e fingir coragem.
É olhar para o futuro
como quem segura água nas mãos:
querendo muito que fique,
sabendo que pode escapar.
Às vezes eu penso
que o amor deve ter nascido do medo.
Porque só sente medo de perder
quem finalmente encontrou algo
que vale a pena manter.
E eu não sei o que vai acontecer amanhã.
Não sei se o tempo muda pessoas.
Não sei se a vida inventa distâncias.
Não sei quantos ventos existem
capazes de mover dois corações para longe.
Mas sei disso:
Se um dia perguntassem
qual foi a coisa mais profundamente humana
que já senti—
eu falaria de você.
Porque você me fez perceber
uma coisa terrível e bonita:
Que às vezes uma pessoa
não salva a nossa vida.
Ela apenas aparece…
e faz a vida parecer
algo que finalmente vale a pena ser vivida.
E talvez seja isso o amor.
Não fogos.
Não promessas impossíveis.
Mas encontrar alguém
que faz o peso do mundo parecer menor
só porque existe.
E se algum dia,
num universo distante,
eu tivesse que explicar você para as estrelas—
eu acho que diria:
“Eu conheci alguém
que sem perceber
me ensinou que até os corações cansados
ainda podem florescer.”
E talvez as estrelas ficassem em silêncio.
Porque existem sentimentos
que até o universo
leva tempo para entender.
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Autor:
Arthur Wallace (
Offline) - Publicado: 10 de maio de 2026 02:28
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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