HORAS AMADORAS
hoje acordei com dez horas
chatas e amadoras,
com a luz do quarto acesa
e uma voz longe muito longe:
- vê lá se não te demoras,
o pequeno almoço está na mesa.
as horas a martelar,
a martelar, a martelar,
amarelas, a cintilar,
a saltar do manipulador do despertador
e eu a não querer acordar.
as horas iam-me caindo
saltando e rindo
em cima da cabeça,
numa cavalgada possessa.
picavam-me como esporas.
e aquela voz longe muito longe:
acorda pá que já são horas.
que susto!
lá acordei a muito custo
e contrariado,
numa chuvosa e preguiçosa
véspera de sábado!
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Autor:
Arthur Santos (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 9 de maio de 2026 19:35
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: G. Mirabeau

Offline)
Comentários2
Boa noite poeta! As horas martelando e a voz longe, muito longe, criam aquela atmosfera de mergulho profundo no sono, onde qualquer som vira um invasor. Horas amarelas e a luz acesa trazem aquele incômodo quase físico de quem não está pronto para a claridade. A Véspera de Sábado: Essa é a parte mais cruel. Saber que o descanso está perto, mas ainda existe um último obstáculo (a sexta-feira) entre você e a liberdade. Seu estilo transita muito bem entre o filosófico e o cotidiano. Parabéns por seu poema! Meu abraço poético.
Sentir saudade de um sonho que nunca tive... Belo poema!!
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