O preço de um Berço vazio 

Sinvaldo de Souza Gino

O preço de um Berço vazio 

Não foi por fama que ele foi,  
Nem por coroa de louro.  
Foi pelo choro sem volta  
De três berços no chão duro.  
A flecha que saiu dele  
Virou sentença e muro.

Juno armou a cilada,  
Pôs veneno no seu vinho.  
Ele viu monstro na casa  
Onde havia só carinho.  
Matou os filhos sem culpa  
Pensando matar espinho.

Acordou com as mãos vazias,  
Mas a alma pesava chumbo.  
Foi a Delfos de joelhos,  
Pediu ao deus um rumo.  
A Pítia disse em brasa:  
“Serve ao rei, paga o teu sumo.”

Doze lidas lhe entregaram,  
Doze guerras sem perdão.  
Cada fera que caía  
Era um pranto no seu chão.  
Não buscava ser herói,  
Buscava ser só irmão.

Lavou no sangue dos monstros  
O sangue que era seu.  
Pois só a dor do trabalho  
Calava o grito que deu.  
Hércules virou escravo  
Pra ver se o pai Deus desceu.

  • Autor: GINO (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 9 de maio de 2026 06:47
  • Categoria: Fantástico
  • Visualizações: 2
  • Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz
Comentários +

Comentários1

  • Francisco Queiroz

    Embora já tenha lido e assistido a muitas obras sobre Hércules, seu poema revelou uma faceta nova, humanizando o mito ao converter o sangue dos monstros na dolorosa purificação do espírito de Herácles. É possível sentir o peso real de seus trabalhos. Parabéns, nobre Poeta!



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