O Eco e a Agonia

FILIPE4OLIVEIRA

O peito aperta em um nó que não desfaz

sentença escrita em frio e solidão.

Vejo o amor pela janela, sou um mero espectador

Olho no espelho e busco meu defeito, todos eles

no rosto, no corpo, na alma, no que não sei ser.

O gosto é amargo, o silêncio é meu lar.

Insuficiente, Inadequado, Incompleto, Medíocre

aprendo a aceitar o destino que me foi imposto,

culpando a sorte que me guia

a vida é o eco da minha agonia

  • Autor: FILIPE4OLIVEIRA (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de maio de 2026 18:34
  • Comentário do autor sobre o poema: Escrever este poema foi, para mim, um exercício de traduzir o silêncio que às vezes ocupa espaço demais aqui dentro. Ele não é apenas sobre a tristeza, mas sobre aquele momento de confronto absoluto com o espelho, onde a gente para de buscar desculpas externas e começa a procurar as próprias rachaduras. A imagem do "amor pela janela" define muito do que sinto: a sensação de ser um eterno observador de uma felicidade que parece ter um idioma que eu desaprendi a falar. É sobre essa sentença de isolamento que a gente acaba assinando sem querer, transformando a própria casa e o próprio corpo em um lugar de ecos e ausências. No fundo, estas estrofes são o meu relato sobre a resignação. Aceitar a própria "insuficiência" é um processo amargo, mas é o que acontece quando a agonia deixa de ser um ruído passageiro e se torna a trilha sonora da nossa rotina. É um pedaço de mim que ainda não sabe como desatar o nó, mas que precisava, pelo menos, dar um nome a ele
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 5


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