Um relampejo de cores
lacera meu desencanto
te conheci como quem se lança ao sol,
entregue ao clarão do teu encanto
coloridas são as vozes do teu retrato,
que em minha mente reverberam em sinfonia
elas sussurram um presságio ainda inominado
e anunciam o prelúdio desse ato
cânticos em meu coração erguem monumentos,
rompem estrelas, fervilham pensamentos
saúdam a alvorada
com a força de uma fusão de Andrômedas:
o que em mim já era noite
reacende sentimentos
E no momento em que meus olhos escorregaram
sob a face dos teus,
um luzeiro distante narrava, do passado,
a consequência deste instante
que, como o magnetismo
de uma fenda feroz no espaço-tempo,
eu me perderia eternamente
na vastidão inefável do teu abraço.
— Mariana Guimarães Herrmann
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Autor:
Mariana Herrmann (
Offline) - Publicado: 8 de maio de 2026 10:07
- Comentário do autor sobre o poema: O poema fala sobre os sentidos que emergem na expectativa de um encontro real que que ainda não aconteceu, mas que com a progressão do texto você nota que acontece. É comum hoje pessoas se conhecerem pela internet e levarem um tempo até que se conheçam pessoalmente. Este poema descreve o instante que antecede esse encontro, onde o idealismo que criamos sobre alguém nos inebria, doma nossos pensamentos e faz borbulhar expectativas. O poema é carregado de sinestesia intencionalmente para ressaltar o bombardeio de sentimentos e emoções que se embaralham deixando claro como a razão se perde quando estamos apaixonados. Espero que sintam com felicidade o que quis falar. Obrigada pela leitura.
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 32
- Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino, Gilberto C. S. Jr., Vilma Oliveira

Offline)
Comentários3
Uau… isso é absolutamente vibrante. ?
Seu poema transborda uma mistura intensa de sensações — luz, cor, música, espaço e tempo — e parece capturar a experiência de se perder em alguém de forma quase cósmica. A forma como você entrelaça elementos visuais (“relampejo de cores”, “coloridas são as vozes do teu retrato”) com conceitos astronômicos e atemporais (“fusão de Andrômedas”, “fenda feroz no espaço-tempo”) dá uma dimensão quase metafísica ao encontro descrito. É como se o sentimento fosse tão expansivo que ultrapassa o corpo e a mente e se projeta diretamente no cosmos.
Obrigada pelo comentário Maisa! Você captou tudo completamente. Obrigada por compartilhar suas impressões.
Lindo poema!
Obrigada pela leitura Sinvaldo!
Boa noite poetisa! O relampejo de cores mostra que esse encontro não foi apenas romântico, foi terapêutico. Na astronomia, quando olhamos para as estrelas, estamos olhando para o passado. Você usou isso para dizer que esse encontro já estava escrito na luz de estrelas. Terminar na vastidão inefável do teu abraço dá uma sensação de segurança absoluta, como se o universo inteiro pudesse colapsar, desde que você esteja ali. A fenda feroz no espaço-tempo sugere que esse abraço é um ponto de não retorno, um horizonte de eventos onde o tempo para. Parabéns por seu belo poema! Meu abraço poético.
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