O INVENTÁRIO DOS PODERES INVISÍVEIS DAS MÃES

Sezar Kosta


Mãe possui poderes oficialmente não explicados pela ciência —
como um detetive das almas caladas,
ela descobre tristeza escondida atrás do “não foi nada”,
talvez porque aprendeu, cedo, a ler o silêncio
como quem folheia um livro invisível,
feito de suspiros e sorrisos minguados.
-
Com um simples olhar, desvenda o paradeiro de objetos desaparecidos —
chaves, brinquedos, desejos —
como se guardasse mapas do inexplicável,
e no mesmo gesto transforma a comida simples
numa lembrança eterna,
um festim de memórias que se adocicam na boca,
onde cada garfada é um enigma de amor temperado a saudade.
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Ela detém um poder curioso que desafia o tempo:
anos depois, as broncas viram carta de amor disfarçada,
ameaças do chinelo se transmutam em versos suaves
que dançam nas frestas da infância —
um contrato secreto firmado no chalé do crescimento.
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Ser criança é, talvez, esse paradoxo encantado:
sobreviver às tempestades pequenas,
recebendo em troca o maior dos abraços —
um amor que não pede permissão para existir,
e que mesmo nos seus rituais mais severos,
escapa sorrateiro e se instala na pele,
como tatuagem invisível que só tempo e saudade podem decifrar.
-
Mãe possui poderes oficialmente não explicados pela ciência —
e, no fundo, é essa falta de explicação
que nos salva da pressa de entender,
permitindo que o mistério do cuidado
se faça eterno e leve,
uma lição bem-humorada do real:
o inexplicável é o que sustenta o possível.
-
E eu, entre risos e dúvidas, repito pra mim mesmo —
quem precisa de ciência
quando se tem tanto amor que vira magia?


Minha mãe possuía habilidades sobrenaturais.
-
Ela conseguia descobrir bagunça
mesmo atrás de portas fechadas,
sabia exatamente quando eu estava mentindo
e tinha um talento impressionante
para aparecer no instante exato
em que eu começava alguma besteira.
-
O curioso é que, na infância,
eu achava tudo isso injustiça.
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Hoje percebo que era tecnologia avançada de mãe.
-
Também existia o lendário “olhar materno”,
capaz de encerrar discussões,
corrigir comportamentos
e provocar arrependimento imediato
sem precisar aumentar a voz.
-
No fundo, mãe é isso:
uma mistura misteriosa
de abraço, GPS emocional
e fiscalização preventiva.


minha querida mãe, lhe peço perdão por muitas vezes dizer coisas que lhe machucam.
por não entender a dor escandalosa que teu silêncio grita.
por não dar atenção a sua sensatez
e aos berros que seu choro silencioso dizendo "não aguento mais" disse enquanto estive dormindo.
a senhora nunca esteve sozinha, minha flor.
não sou o filho que mereces, mas o filho que vai te transformar em por seguro.
eu também quero ser o seu.
sua força é o parâmetro mais lindo visto pelos meus olhos.

  • Autores: Sezar Kosta, Bulaxa Kebrada, Brunna Keila
  • Visível: Todos os versos
  • Publicado: 7 de maio de 2026 20:59
  • Limite: 6 estrofes
  • Convidados: Público (qualquer usuário pode participar)
  • Comentário do autor sobre o poema: Mãe possui poderes oficialmente não explicados pela ciência. Consegue descobrir tristeza escondida atrás de “não foi nada”, encontrar objetos perdidos com um simples olhar e transformar comida simples em lembrança eterna. Também possui uma habilidade curiosa: anos depois, até as broncas viram saudade. A infância talvez fosse isso — sobreviver às ameaças do chinelo enquanto recebíamos o maior amor do mundo.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 3
  • Em coleções: Meus Poemas de Amor, Poemas Mesclados.