Desde os primórdios, eu sei que não me pertence.
Sei que não sou eu.
Imaginei que o problema fosse comigo.
Porque, afinal, como não aceitar algo tão romântico e bonito?
Aos olhos de fora…
aos olhos seus.
Mas aos meus olhos, o que se encontra?
O que eles dizem?
Imploram por socorro.
Choram por estar aqui.
Nem um êxtase momentâneo conseguiu alterar, desiludir, mudar.
A verdade sempre esteve ali.
Sempre nos cercou.
Nunca desapareceu.
Às vezes nos prendemos a ilusões, sonhos, medos e apegos.
Mas nada disso passa de fuga.
Por um lado, desgaste.
Vontade de fugir.
Por outro, um amor a iludir.
O que se intitula amor para uns,
para outros é exaustão.
Dois opostos.
Duas visões.
Duas versões.
O que poderia dar errado agora?
Ou o certo seria perguntar:
como o errado permaneceu até agora?
Perguntas e mais perguntas.
Sempre estiveram aqui.
E as respostas se mantiveram ocultas.
O que são picos de felicidade
comparados ao desejo antigo de sempre querer ir?
Ir…
ir de um lugar que nunca me pertenceu.
Que nunca quis ficar.
O ápice da adolescência foi esse encontro.
Um choque entre dois opostos,
que desde o início se mostrou contrário.
Não tiveram as mesmas intenções.
Como se prolongou por cinco longos anos?
Picos de alegria?
Apego?
Culpa?
Medo?
Por um olhar, seria apenas uma fase ruim que poderia passar.
Mas estamos falando de anos.
Anos em que a paz nunca chegou.
Em que o coração não se acalmou.
Cinco anos é tempo.
É história.
Apego.
Culpa.
Medo.
Tentativas.
Memórias.
Ainda que eu hesite, isso é real.
O desejo de ir sempre permaneceu.
Nunca se foi.
Apenas se escondeu.
O pior não é isso.
É sentir-se violada,
quando o corpo de um dizia não
e o outro não escutava.
Ao longo dos anos, formamos nossa história,
que um dia se tornará apenas memória.
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Autor:
Anac Santos (
Offline) - Publicado: 6 de maio de 2026 23:00
- Categoria: Amor
- Visualizações: 4

Offline)
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