SONETO DOS CONTRASTES

Vilma Oliveira


Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES

Já tive tantos amores...

De alguns nem lembro, nem sei!

Já fui amada por muitos...

Por outros, sozinha eu amei!

 

Já tive alguns nos meus braços

Sedenta de amor me entreguei...!

Igual a um conto de fadas...

Com muitas saudades fiquei...!

                

Porém, que rude contraste,

Tu – que nunca me abraçaste

Tu – que eu jamais abracei...

 

Comigo sempre ficaste...

Tu – que nunca me beijaste

Tu – que jamais eu beijei...

 

  • Autor: Vilma Oliveira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 2 de maio de 2026 20:00
  • Comentário do autor sobre o poema: Breve análise sobre este soneto: O poema é dividido claramente em duas partes: Os Quartetos: Focam na quantidade e na vivência carnal (tantos amores, nos meus braços, me entreguei). Aqui, o eu lírico descreve uma busca ativa, mas que resulta em esquecimento ou apenas saudade. Os Tercetos: Introduzem a rude reviravolta. O foco muda para o Tu — uma figura que nunca foi tocada, mas que é a única que permanece. A força do soneto reside no paradoxo: as pessoas que o eu lírico abraçou e beijou se foram (viraram alguns que nem lembro). Já a pessoa que nunca foi tocada (jamais abracei, nunca me beijaste) é a que comigo sempre ficaste. Isso sugere que o amor idealizado ou espiritual é mais resistente ao tempo do que o amor físico. O uso das reticências e da primeira pessoa cria uma atmosfera de desabafo e intimidade. A repetição do tu – que... nos tercetos cria um ritmo de ladainha, enfatizando a importância dessa figura ausente-presente. O uso de exclamações reforça o sentimentalismo típico da herança romântica. É um poema sobre como o desejo não realizado pode ser mais real e duradouro do que as experiências vividas. A memória guarda com mais força o que a mão nunca tocou.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 6
  • Em coleções: Sonetos.
Comentários +

Comentários2

  • Salvador

    Muito bom esse soneto, estudei as regras desse estilo faz poucos dias e você foi perfeita. Parabéns!

  • Shmuel

    Muito bom, poeta!

    Abraços



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